Netanyahu determina controle de até 70% da Faixa de Gaza
Premiê de Israel ordena que as Forças Armadas ampliem o avanço em áreas palestinas. Trégua mediada pelos EUA limita a presença israelense a 53%.O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quinta-feira (28/05) que instruiu as Forças Armadas a expandir sua presença para 70% da Faixa de Gaza, onde a população permanece confinada a um estreito corredor ao longo da costa.
Pelo acordo de trégua mediado pelos Estados Unidos em outubro, as tropas israelenses deveriam se retirar até uma "Linha Amarela", que delimitava a extensão do controle israelense. Marcada em mapas militares, essa linha colocava Israel no controle de cerca de 53% de Gaza.
Segundo a agência Reuters, desde então Israel deslocou unilateralmente os blocos de concreto que demarcavam a chamada "Linha Amarela", avançando-os para áreas sob controle do Hamas. Mapas divulgados pelos militares em março já indicavam uma zona restrita ainda maior, com Israel passando a controlar 64% do território palestino. A região foi amplamente devastada pelos bombardeios da ofensiva militar israelense ao longo dos dois anos que se seguiram ao ataque do Hamas no sul de Israel, em 2023.
Netanyahu afirmou repetidamente, em declarações públicas, que os militares controlam mais de 60% de Gaza. "Estávamos em cinquenta, passamos para sessenta. Minha diretriz é avançar — vamos passo a passo", disse Netanyahu nesta quinta-feira.
"Antes de tudo, setenta. Vamos começar por aí. Estamos pressionando eles (Hamas) por todos os lados. Vamos lidar com os remanescentes."
Israel intensifica ataques em Gaza apesar da trégua
Netanyahu descreve os territórios que Israel tomou em Gaza, na Síria e no Líbano como "zonas de amortecimento" que podem impedir possíveis ataques de militantes. Os palestinos veem a ampliação da zona como parte de uma estratégia para deslocá-los permanentemente.
A diretriz de Netanyahu ocorre no momento em que Israel intensifica seus ataques em Gaza, que, segundo o governo, têm como alvo líderes do Hamas envolvidos nos ataques de 2023. Na terça-feira, as forças israelenses mataram o chefe do braço armado do Hamas, dez dias após terem matado seu antecessor.
Desde a trégua, ataques israelenses mataram mais de 900 pessoas, segundo autoridades de saúde de Gaza, enquanto Israel afirma que quatro soldados foram mortos por militantes no mesmo período.
Um ataque adicional na noite de quarta-feira matou pelo menos 10 pessoas, incluindo cinco crianças, e feriu outras 18. A ação ocorreu enquanto os palestinos marcavam o feriado muçulmano do Eid al-Adha, que muitos em Gaza celebraram reunindo-se em acampamentos de tendas e em prédios bombardeados.
gq (Reuters, OTS)
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