"Neonazista trans" está em prisão feminina na Alemanha após extradição
Extraditada da República Tcheca, onde fugia de pena por incitação ao ódio, extremista ganhou notoriedade depois de se autodeclarar mulher para, segundo críticos, evitar prisão masculina.Um membro da cena neonazista do leste da Alemanha foi extraditado da República Tcheca nesta quarta-feira (15/07) e enviado a uma prisão feminina, apesar de ser suspeito de abusar das leis alemãs de autodeclaração de gênero.
Marla-Svenja Liebich — que, antes de se registrar como mulher, usava o nome Sven — foi transferida para uma prisão feminina na cidade de Chemnitz, no leste da Alemanha, informou o Ministério Público.
Liebich teria sido "cooperativa", e a direção da prisão feminina agora avalia se ela cumprirá a pena lá ou se a encaminha a outra instituição.
Liebich havia desaparecido agosto do ano passado, depois que ignorou uma ordem para se apresentar a uma prisão feminina na Alemanha para cumprir pena de um ano e meio por crimes que incluem incitação ao ódio étnico e difamação.
Liebich foi presa no início de abril na República Tcheca, e enviada para a Alemanha após a Justiça tcheca rejeitar suas tentativas de impedir a extradição. Liebich argumentou que temia por sua vida caso fosse enviada a uma prisão masculina.
Quando foi capturada, porém, Liebich estaria usando roupas masculinas e tinha a cabeça raspada, segundo o jornal alemão Mitteldeutsche Zeitung.
A Justiça de Halle avalia atualmente um processo que poderia reverter a autodeclaração de gênero de Liebich.
Quem é Marla-Svenja Liebich
Liebich, de 55 anos, é uma figura de destaque no cenário extremista de direita do leste da Alemanha há décadas.
Ela ganhou notoriedade pública ao passar a se identificar como "mulher trans" na esteira de uma condenação e, assim, garantir o direito de cumprir pena numa prisão feminina.
O registro como mulher foi feito no fim de 2024, enquanto recorria da condenação em primeira instância, após uma reforma que facilitou a mudança legal de gênero.
O gesto foi amplamente visto como uma tentativa de zombar da Lei de Autodeterminação de Gênero da Alemanha, introduzida em novembro de 2024, e deu início a um debate sobre o potencial uso indevido da nova legislação.
Festejada à época por defensores dos direitos de pessoas LGBTQ+, a nova lei passou a permitir que qualquer pessoa possa modificar seu nome e sexo no registro civil com uma simples autodeclaração em cartório, sem necessidade de apresentação de laudos periciais e psiquiátricos ou tratamentos hormonais, como ocorria antes.
Quando ainda atendia pelo nome Sven, Liebich se manifestava de maneira crítica contra o que chamava de "ideologia de gênero", além de insultar participantes da parada gay como "parasitas". Também alertou contra o que chamou de "transfascismo" e vendeu souvenirs estampados com a frase: "Não existe criança trans, apenas pais idiotas".
Após mudar seus documentos, Liebich passou a processar judicialmente veículos que noticiassem a mudança de gênero e a tratassem como homem. Em um desses casos, perdeu para o jornalista Julian Reichelt, chefe do veículo Portal Nius e ex-editor-chefe do tabloide Bild, que teve assegurado como liberdade de expressão seu direito de afirmar numa rede social que Liebich "não é mulher".
"Qualquer um que acompanhar a cobertura sobre o neonazista Sven Liebich só poderá chegar a uma conclusão: o governo anterior conseguiu forçar praticamente toda a imprensa alemã por lei a dizer uma inverdade e alegar coisas grotescamente falsas. Sven Liebich não é uma mulher", escreveu Reichelt no X em julho do ano passado.
Outro caso envolvendo a revista Der Spiegel, denunciado ao Conselho de Imprensa da Alemanha, foi dispensado; o órgão considerou provável que Liebich tenha alterado seus dados civis de má fé "para provocar e ridicularizar o Estado".
Depois de assumir o poder no ano passado, o atual governo alemão do chanceler conservador Friedrich Merz afirmou que revisaria a Lei de Autodeterminação.
ra (AFP, dpa)
---------
Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele apa recer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.