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Na crise, pessoas apostam no "faça-você-mesmo" e têm prejuízo

18 mai 2009 - 19h27
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Economizar dinheiro nunca custou tanto. Quando a privada do banheiro da suíte de Carol Taddei começou a dar problema há alguns meses, ela decidiu que seria mais barato comprar uma nova do que pagar pelos reparos. Frugal como nunca nesta economia lúgubre, Taddei, uma técnica jurídica aposentada, levou sua medida de economia mais além, decidindo que ela poderia economizar ainda mais instalando a nova privada sozinha.

Inicialmente, as coisas pareciam bem com a descarga e o fluxo. Isto é, até o teto do cômodo abaixo da nova privada (com vazamento) ceder. Com pressa para conseguir os suprimentos de reparo, Taddei esbarrou em um suporte em sua garagem. Ela arrancou o pára-choque do seu carro, e posteriormente, várias prateleiras que seguravam potes de plantas e ferramentas de jardinagem caíram sobre sua cabeça.

"Só foi piorando," Taddei disse, descrevendo com melancolia o que resultou em uma reforma de três dias ao custo de US$ 3 mil em sua casa no subúrbio de Minneapolis, realizada por um profissional do Mr. Handyman, um serviço de reparos residenciais que recebe ligações de emergência.

Com a crise econômica, surgiu uma classe de ambiciosos adeptos do faça-você-mesmo que estão se incumbindo de coisas que, antes dos dias dos tostões contados, poderiam ter sido deixadas para profissionais pagos. Alguns azarados como Taddei aprenderam que ser econômico às vezes custa caro e pode trazer um novo castigo dos tempos: remorso por economizar.

"Ah, nem me fale," Taddei disse. "Às vezes, é melhor simplesmente aceitar o prejuízo."

Especialistas dizem que certas coisas são quase sempre verdade em tempos difíceis, e elas não são de todo ruins. As pessoas dirigem menos para economizar gasolina, e por isso há menos batidas de carro. As pessoas fumam menos porque cigarros são caros. As dietas são simplificadas e, às vezes, se tornam mais saudáveis como resultado. Os níveis de estresse, por outro lado, tendem a aumentar.

E embora não haja nenhum banco de dados nacional que monitore as lesões causadas por tentativas de faça-você-mesmo em residências, especialistas dizem que parece haver um aumento dos acidentes e contratempos decorrentes de se passar mais tempo em casa, com base predominantemente em indícios casuais.

"Estamos vendo um aumento de pequenas lesões, torções e contusões," disse Peter Lamelas, que opera quatro centros ambulatoriais de emergência nos arredores do condado de Palm Beach, Flórida.

Os centros estão constatando um aumento de pacientes em geral, talvez por tais locais serem uma alternativa menos cara ao pronto-socorro de hospitais. Com base em números deste ano até agora, Lamelas espera receber 20 mil visitas a mais de pacientes do que no ano passado.

"Estamos vendo muitos problemas do sistema musculoesquelético de pessoas que carregam coisas pesadas, talvez por se moverem ou fazerem coisas com as quais não estão acostumadas," Lamelas disse. "Muitas lesões nas costas e nos ombros. Lacerações o tempo todo."

Ramon Estrada sente remorso por economizar na modalidade comida. Há cerca de três meses, esperando economizar nas compras do mercado e evitar caras refeições no restaurante, ele aceitou quase duas dúzias de bife e filé de peixe de alguém que ofereceu à sua família sobras cruas de uma festa. Por ser um estudante de gastronomia, Estrada aproveitou a chance para passar uma noite cortando, temperando, grelhando, resfriando e empacotando a comida gratuita para os jantares e almoços da semana.

A família comeu a carne e o peixe logo de cara. Estava delicioso, mas cerca de quatro horas depois, "Estava me sentindo completamente horrível," disse Estrada, 27. "Dor de estômago, a pior de todas."

O irmão de Estrada teve que ser levado ao pronto-socorro. Estrada ficou tão desidratado que também teve que ir ao médico alguns dias depois, ao custo de pelo menos US$ 400 em remédios e tratamento, e quatro dias afastado do trabalho. "Aprendi algo," ele disse. "Economizar dinheiro não vale tudo isso."

Cabeleireiros e mecânicos são muitas vezes chamados ao resgate quando as coisas dão errado para os que querem economizar.

"Uma das minhas clientes decidiu descolorir o cabelo inteiro ao invés de vir ao salão para fazer luzes," disse Sunny Brewer, cabeleireira de St. Clair, Michigan. "Ela colocou descolorante em todo o couro cabeludo, cobriu o cabelo até as pontas, e deixou agir por uma hora. O cabelo dela ia até o meio das costas e agora ela está usando um bob na altura do queixo porque o cabelo quebrou."

A cliente, um tanto mortificada, não quis seu nome mencionado no artigo. Mas ela deixou Brewer contar sua história como alerta de precaução.

"Tivemos que aplicar uma cor corretiva," Brewer continuou. "Cobro por hora e trabalhei nela por quatro horas. Por isso, no final, ela acabou tendo que pagar quase US$ 1 mil para consertar seu cabelo, quando poderia ter custado apenas US$ 175."

Don Tommasone, dono da Village Automotive, uma mecânica de um subúrbio de Chicago, disse que atualmente também passa muito tempo fazendo correções.

"Erguemos o capô e sabemos se o cara tentou fazer o conserto sozinho com partes baratas," Tommasone disse. "Vemos pelo menos um assim por dia. No mínimo. A parte do carro número um que mais tentam substituir sozinhos: a bateria."

Sasha Bernstein está entre as que decidiram eliminar a ida ao salão de beleza. Há cerca de seis meses, Bernstein, 26, decidiu que economizaria US$ 60 por mês se comprasse um kit para fazer a depilação pubiana em casa. Tudo que ela pode dizer é que parecia uma boa idéia na época. Muitas vezes, no entanto, as feridas só afetam o orgulho.

Tony Contreras, que trabalha em um instituto jurídico sem fins lucrativos em São Francisco, economiza dinheiro com cabeleireiro cortando o cabelo de sua filha sozinho. Sua esposa, Sierra Filucci, chamou o último estilo de "bagunça horrivelmente irregular."

Mas os pais continuando dizendo a Lola, 4, que ela está bonita, embora se contorçam toda vez que as pessoas mencionam o corte de cabelo criativo da filha.

No subúrbio de Baltimore, Lynne Sherman serviu de reparo temporário após a tentativa do marido de pendurar uma moldura acabar perfurando um cano, que fez com que água jorrasse no quarto de sua filha. Sherman tapou o buraco com o dedo até que o carpinteiro chegasse.

"Meu marido disse: 'tive aulas de marcenaria e oficina no colégio, por isso quando estivermos prontos, vou fazer o trabalho.'"

Sherman, 50, disse sobre o projeto que deu errado e que custou US$ 250 para ser consertado, algo que seu marido a fez prometer manter em segredo. "Você não pode imaginar qual foi a reação dele e eu comecei a rir de nervoso, 'Ah Deus, o que fazer?' Agora, tenho que dizer, não faço mais as coisas sozinha."

Tradução: Amy Traduções

The New York Times
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