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Vinte anos depois, área da antiga URSS é palco de conflitos

10 dez 2011 - 17h40
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O fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), há duas décadas, não foi suficiente para pôr fim a uma série de conflitos que até hoje afligem os países que nasceram das cinzas do antigo regime comunista. "A desintegração pode causar confrontos e até mesmo guerras entre nações e repúblicas", alertou o então presidente Mikhail Gorbachev nos últimos dias da União Soviética.

Conflito de Nagorno-Karabakh (foto), entre Azerbaijão e Armênia: exemplo de guerra da era pós-soviética na região do império vermelho
Conflito de Nagorno-Karabakh (foto), entre Azerbaijão e Armênia: exemplo de guerra da era pós-soviética na região do império vermelho
Foto: Arte Terra / AFP

O mais antigo dos conflitos, de 1987, entre Azerbaijão e Armênia, perdura até hoje. Após uma violenta guerra de quase quatro anos (1991-1994) e que deixou 25 mil mortos, os dois países assinaram um cessar-fogo. Mas a tensão na fronteira não indica que o problema esteja perto de seu fim. O Azerbaijão tem um terço de seu território ocupado e exige a retirada das tropas armênias e sua substituição por forças de pacificação. O desejo é conceder autonomia à região de Nagorno Karabakh.

Por sua vez, a Armênia afirma que tem direito sobre o território e diz que sua autonomia deveria ser decidida num plebiscito que não incluiria os azerbaijanos. Um milhão de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas em Nagorno Karabakh por causa da ocupação das tropas armênias. O Azerbaijão já declarou que o insucesso nas negociações obrigará o país a recorrer à força. As despesas militares da antiga república soviética já são iguais a todo o orçamento da Armênia.

As importações de armamentos deste país também vêm aumentando ultimamente. A grande esperança de Erevan, a capital da Armênia, é o exemplo da Geórgia. Em agosto de 2008, o país tentou restabelecer sua soberania na região separatista da Ossétia do Sul, mas a Rússia, sob comando do presidente Dmitri Medvedev, interveio no conflito e reconheceu não só sua independência, como também da Abkházia. Depois disso, apenas Nicarágua, Venezuela e dois pequenos países do Pacífico - Nauru e Tuvalu - repetiram Moscou e reconheceram a autonomia destas regiões.

Estes dois conflitos também remontam aos tempos soviéticos. A lógica era simples: se a Geórgia se separasse da URSS, Abkházia e Ossétia do Sul reivindicariam sua independência. Os primeiros confrontos começaram ainda na época do regime soviético. Após o fim do regime comunista, a tensão reprimida se tornou uma guerra declarada. A Rússia apoiou os separatistas com armas, dinheiro, apoio logístico e soldados, e exerceu um papel decisivo na derrota das forças georgianas.

Algo parecido ocorreu entre a Moldávia e uma região do país, a Transnístria. Foi lá que, entre 1992 e 1993, houve um conflito armado que só terminou quando o exército russo se juntou aos separatistas sob o pretexto de evitar um banho de sangue.

Não menos violentos foram os conflitos em próprio solo russo, nas províncias do Cáucaso do Norte, como a Ossétia do Norte e a Inguchétia, que antes mesmo do ocaso soviético já brigavam por territórios. Em 1994, explodiu a violenta guerra da Chechênia. Até hoje, separatistas desta província realizam atentados terroristas, que também são praticados por militantes de regiões vizinhas.

Estes conflitos são apenas a ponta do iceberg. Praticamente todos os estados surgidos das ruínas da URSS têm problemas parecidos. Uma das disputas por território mais conhecida aconteceu entre a Rússia e a Ucrânia, na península da Crimeia.

Na Ásia Central, as fronteiras traçadas nos tempos de Stalin não respeitaram as realidades ancestrais dos povos que lá viviam. No vale de Fernaga, por exemplo, convivem mais de 100 etnias diferentes. A região foi um foco de violência nos tempos soviéticos. Além disso, existe o problema de falta de água, uma das razões das diferenças entre Tadjiquistão e Uzbequistão, que por enquanto só estão sendo discutidas por seus dois presidentes.

EFE   
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