União Europeia discute China, energia e orçamento em cúpula marcada por pressão eleitoral
Os chefes de Estado e de governo dos 27 países da União Europeia reúnem-se nesta quinta-feira (15) e sexta-feira (16), em Bruxelas, para uma cúpula dominada por três temas estratégicos: as relações comerciais com a China, o aumento dos preços da energia e a negociação do próximo orçamento plurianual do bloco, que definirá as prioridades europeias até 2034.
Em cúpula pressionada por eleições futuras, líderes da União Europeia debatem medidas para conter o déficit comercial com a China e reduzir custos de energia. A principal disputa foca no orçamento de € 2 trilhões até 2034, que divide o bloco entre países como a França, favoráveis a mais gastos e novas receitas, e nações lideradas pela Alemanha, que exigem cortes fiscais. A reunião também aborda o apoio à Ucrânia, com Volodymyr Zelensky, além de divergências sobre a política migratória.
No comércio, os líderes devem pedir à Comissão Europeia que mantenha o diálogo com Pequim, mas avance também com instrumentos de defesa comercial para proteger a indústria europeia. A discussão ocorre menos de uma semana depois de a Comissão e a China terem chegado a um acordo destinado a limitar as exportações de veículos híbridos chineses para o mercado europeu.
O déficit comercial da União Europeia com a China chegou a € 360 bilhões no ano passado e já alcançava € 200 bilhões no primeiro semestre de 2026. França e Alemanha apresentaram propostas conjuntas para reduzir esse desequilíbrio, sinalizando uma mudança importante na posição de Berlim. Há dois anos, o governo alemão criticava abertamente os planos europeus de impor tarifas sobre veículos elétricos fabricados na China. Agora, a Alemanha de Friedrich Merz aproxima-se da posição mais protecionista defendida por Paris.
Para um alto diplomata europeu, o problema ultrapassa o setor automobilístico e exige uma resposta rápida, diante do impacto sobre a indústria e o emprego. Pequim, por sua vez, acusa a União Europeia de utilizar os desequilíbrios comerciais como justificativa para adotar medidas protecionistas e aumentar as restrições contra produtos chineses.
A competitividade europeia estará diretamente ligada a outro tema da cúpula: o custo da energia. O projeto de conclusões considera a questão de importância crucial e remete a propostas já apresentadas pela Comissão Europeia, entre elas o adiamento por um ano das obrigações de declaração relativas às emissões de metano.
Orçamento
Mas é o futuro orçamento da União Europeia que concentra uma das disputas mais difíceis. A Comissão Europeia propôs um orçamento de cerca de € 2 trilhões para o período até 2034, destinado a financiar áreas como agricultura, coesão regional, defesa, competitividade, inteligência artificial, imigração e apoio à Ucrânia. Para ser aprovado, o pacote exige consenso entre os 27 Estados-membros.
Os governos europeus querem chegar a um acordo antes do fim de 2026, em parte porque 2027 será marcado por uma série de eleições nacionais que podem alterar profundamente o equilíbrio político dentro da União. Entre os países que terão eleições estão França, Itália, Polônia, Grécia e Finlândia.
A eleição presidencial francesa é particularmente sensível. Marine Le Pen, líder do Reunião Nacional (RN), defende uma redução significativa da contribuição francesa ao orçamento europeu e afirma que a decisão sobre o próximo orçamento não deveria ser tomada antes das eleições de 2027. Na véspera da cúpula, ela foi a Bruxelas para pressionar contra a aprovação antecipada do pacote, classificando-a como um possível "escândalo democrático".
A disputa orçamentária coloca, de um lado, a França de Emmanuel Macron e países como Polônia, Itália e Espanha, que defendem um orçamento mais robusto, com maiores recursos para agricultura e coesão territorial e social. Do outro estão os chamados países "frugais", liderados pela Alemanha de Friedrich Merz, além de Suécia e Países Baixos, que pressionam por cortes significativos diante da situação fiscal dos governos nacionais.
A Irlanda, que exerce a presidência rotativa da UE, propôs uma redução de €140 bilhões em relação à proposta inicial da Comissão, incluindo cortes nas despesas com competitividade e ajuda ao desenvolvimento. A proposta, porém, não conseguiu reunir o apoio de nenhum dos dois grupos.
França propõe novos impostos
Para financiar um orçamento mais ambicioso, Paris defende a criação de novas receitas próprias da União Europeia, incluindo possíveis impostos sobre serviços digitais, criptoativos e jogos de azar. O governo francês argumenta que não seria coerente defender um orçamento voltado para o futuro ao mesmo tempo em que se promove uma redução substancial de seus recursos.
Depois das discussões sobre orçamento e relações comerciais com a China, os líderes europeus devem concentrar-se, na sexta-feira (16), na guerra na Ucrânia, com a participação do presidente Volodymyr Zelensky. A política migratória também estará na agenda, em um momento de fortes divergências entre os Estados-membros sobre como administrar as fronteiras externas e a distribuição dos custos e responsabilidades migratórias.
Com agências
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