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Ultradireita se prepara para governar estado no leste da Alemanha

22 mai 2026 - 11h15
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Liderando com vantagem as sondagens no estado da Saxônia-Anhalt, AfD ruma para liderar seu primeiro governo estadual. Em entrevista à DW, candidato da sigla diz planejar expandir deportações e "desideologizar" escolas.Ulrich Siegmund, candidato do partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) ao governo de Saxônia-Anhalt, disse à DW que quer criar um "efeito dominó" com uma vitória "histórica" nas próximas eleições regionais em setembro próximo no estado do leste alemão, onde a AfD lidera com ampla vantagem as pesquisas de intenção de voto e pode até vir a governar sem depender de coalizão.

"Há um verdadeiro sentimento de otimismo aqui em Saxônia-Anhalt. É uma sensação maravilhosa. Não queremos nada mais e nada menos do que fazer história. Vamos tornar realidade o primeiro governo liderado pela AfD em toda a Alemanha aqui em Saxônia-Anhalt", disse Siegmund, de 35 anos, em entrevista à DW.

Rótulo de "extremista"

O diretório do AfD de Siegmund é um dos mais controversos da Alemanha.

O Departamento Federal de Proteção da Constituição (BfV)q, o serviço de inteligência interna da Alemanha, classifica o diretório da AfD no estado como "extremista de direita", argumentando que o partido promove um conceito de cidadania baseado na raça, o que contradiz a Lei Fundamental, a Constituição alemã.

Siegmund rejeita essa classificação, argumentando que ela tem motivação política.

No entanto, adversários políticos e chefes de polícia alertam que um governo da AfD apresentaria riscos à segurança nacional, incluindo o compartilhamento de informações confidenciais. Mas Siegmund insiste que a AfD está "comprometida com o Estado de direito".

Muitos cientistas políticos se mostram céticos. "Acredito que uma AfD no governo aprofundaria e profissionalizaria seu radicalismo", afirma Matthias Quent, do Instituto para a Cultura Democrática da Universidade de Magdeburg-Stendal. "Especialmente na Saxônia-Anhalt, que tem um dos ramos estaduais mais extremistas de direita. Não há forças ali que queiram uma direção diferente."

Sem "triagem ideológica"?

Preparativos nos bastidores já estão em andamento para procurar possíveis candidatos para ocupar cargos-chave em uma nova administração. Siegmund diz que o recrutamento seguiria as regras do serviço público e afirmou que não faria "triagem ideológica" de candidatos com ligações com o Movimento Identitário, defensor da supremacia branca.

"Para mim, o foco está no indivíduo, e analisamos atentamente cada um. Se atenderem aos critérios para o cargo em questão, não os submeterei a uma triagem ideológica, mas respeitarei suas qualificações e a estrutura legal aplicável", disse.

Se os membros da AfD assumirem o poder em Saxônia-Anhalt após as eleições de setembro, Siegmund estima que até 200 cargos teriam de ser preenchidos entre secretarias e agências estaduais.

Questionado se seguiria as próprias regras do AfD - que proíbem seus membros de participar de certas organizações, incluindo grupos extremistas - Siegmund fez uma distinção entre filiação partidária e nomeações para cargos públicos.

"Você está falando sobre um partido político. Nós estamos falando sobre um governo estadual. Não há diretrizes políticas para a nomeação, por exemplo, de um chefe de departamento - existe um arcabouço legal e, claro, nós sempre o seguimos. O que você quer dizer é cooperação política ou filiação partidária."

No entanto, o sociólogo Matthias Quent acredita que, caso a AfD chegue ao governo, a sigla tente colocar seus apoiadores extremistas no serviço público.

Reforma das forças de segurança

Siegmund, ex-vendedor cuja conta no TikTok está entre os perfis de políticos mais populares do país, também delineou sua intenção de reformar os órgãos de segurança pública. "Na verdade, queremos reconduzir o aparato ao caminho do sucesso, despolitizá-lo e torná-lo neutro novamente - e, acima de tudo, fazer com que sirva aos interesses do país."

Georg Maier, secretário do Interior do estado vizinho da Turíngia, pediu que as implicações de uma eventual tomada de poder pelo AfD sejam discutidas na próxima reunião dos secretários estaduais do Interior no próximo mês de junho. "Estamos vendo que a estratégia do AfD é minar nossa democracia liberal por dentro e destruí-la peça por peça", disse Maier à DW.

"Planos de remigração"

A AfD prometeu endurecer as medidas contra solicitantes de asilo rejeitados e migrantes com visto expirado. Em contraste com a legislação atual, o partido quer que todas as pessoas aguardando deportação sejam detidas.

"Em nosso governo, indivíduos obrigados a deixar o país devem, evidentemente, ser colocados em detenção para aguardar deportação", disse Siegmund.

Ele quer criar uma força-tarefa de deportação para aplicar essas novas regras. Segundo dados da Secretaria do Interior da Saxônia-Anhalt, há pouco menos de 5 mil pessoas no estado que foram requeridas a deixar o país.

Reformas na educação

Siegmund quer mudanças profundas no sistema educacional, desde a reintrodução do ensino domiciliar até a criação de turmas separadas para crianças refugiadas. Na Alemanha, a educação é responsabilidade dos estados federais. "Vamos desideologizar os currículos. Isso significa que tudo o que foi introduzido ideologicamente nos últimos anos será removido."

A AfD tem feito forte campanha pelo fim da educação sobre diversidade, conscientização LGBTQ+ e de seminários antirracismo do ensino público.

Reaproximação com a Rússia

Embora a política externa seja responsabilidade do governo federal, Siegmund pediu o fim das sanções contra a Rússia. Caso seja eleito, prometeu retomar cursos de língua russa e quer que estudantes russos voltem ao estado por meio de programas de intercâmbio escolar. A Saxônia-Anhalt fazia parte da antiga Alemanha Oriental, que tinha laços estreitos com a União Soviética.

"Por que deveríamos simplesmente direcionar a cultura em outra direção apenas por causa do zeitgeist? Não achamos que isso seja uma boa ideia. Queremos que a cultura permaneça separada dessa tendência", argumenta.

Escândalos abalaram AfD no estado

No início do ano, Siegmund foi pressionado por acusações de nepotismo. Foi revelado que vários membros da bancada da AfD no Parlamento estadual garantiram empregos bem remunerados para familiares de seus colegas.

O próprio Siegmund foi alvo de manchetes por participar de um evento de networking com figuras da extrema direita em 2023. Reportagens sobre essa reunião desencadearam alguns dos maiores protestos da sociedade civil na história do país.

Nesse chamado "Encontro de Potsdam", o etnonacionalista austríaco Martin Sellner apresentou seu plano mestre de "remigração". O plano envolve a deportação de solicitantes de asilo, estrangeiros com direito de permanência e "cidadãos não assimilados".

Efeito dominó?

Apesar dos escândalos, a popularidade da AfD continua crescendo. Se os levantamentos regionais na Saxônia-Anhalt estiverem corretos, a eleição de setembro pode encerrar mais de duas décadas de governo conservador e marcar um avanço da AfD, fundado como um partido anti-euro em 2013 e que adotou a pauta anti-imigração em 2015.

Siegmund acredita que uma vitória do AfD serviria como impulso para outras regiões. "Isso enviaria o sinal de que uma mudança política finalmente está acontecendo, de que voltamos a adotar políticas voltadas para o nosso próprio estado. E isso, claro, teria um efeito dominó", afirma.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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