Ultraconservadores iniciam celebrações para ordenações de bispos na Suíça
Programação desafia papa Leão XIV e pode gerar cisma na Igreja
Os responsáveis pela Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, grupo tradicionalista fundado pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre (1905-1991), iniciaram nesta segunda-feira (29) as celebrações que culminarão, na próxima quarta (1º), na ordenação de quatro novos bispos em Écône, na Suíça.
As consagrações serão realizadas sem mandato pontifício, em um gesto que reacende as tensões entre a fraternidade e a Santa Sé e pode gerar um cisma na Igreja Católica.
A programação divulgada pela FSSPX começou com a ordenação de novos sacerdotes e prossegue com missas nesta terça-feira (30).
A cerimônia de consagração episcopal está marcada para quarta (1º), às 9h, seguida por uma missa pontifical de encerramento na quinta (2).
Durante os quatro dias de celebrações, os participantes também prestarão homenagens junto ao túmulo de Lefebvre, que foi excomungado por São João Paulo II, em 30 de junho de 1988.
Os quatro sacerdotes escolhidos para o episcopado são o suíço padre Pascal Schreiber, de 53 anos, ordenado em Écône em 1998; o norte-americano padre Michael Goldade, natural da Dakota do Norte e criado em St. Marys, no Kansas; e os franceses padre Michel Poinsinet de Sivry, de 42 anos, e padre Marc Happier, de 36.
Nos últimos dias, Leão XIV voltou a manifestar preocupação com a possibilidade de um novo aprofundamento da ruptura entre a Fraternidade e a Igreja Católica. Em conversa informal com jornalistas, afirmou que as divisões na Igreja provocam "dor" e disse esperar fazer um apelo final aos lefebvrianos, embora tenha ressaltado que a Igreja "precisa seguir em frente".
Durante a missa da solenidade de São Pedro e São Paulo, celebrada hoje, o pontífice também exortou os fiéis a que a Igreja "não se torne rígida em suas próprias posições", em uma mensagem interpretada como referência indireta ao impasse com o grupo tradicionalista.
A FSSPX havia dirigido seu mais recente apelo ao Papa em 24 de junho, por meio de uma carta aberta enviada ao pontífice e aos cardeais da Igreja na véspera do consistório extraordinário realizado no Vaticano.
No documento, a fraternidade apresentou uma "profissão completa da fé católica", mas manteve sua posição em relação aos ensinamentos do Concílio Vaticano II.
A rejeição de parte das reformas conciliares permanece sendo o principal obstáculo para a plena reconciliação entre Roma e a fraternidade. Foi justamente essa divergência que levou São João Paulo II a declarar excomungados, em 1988, os quatro bispos consagrados por Marcel Lefebvre sem autorização papal.
Embora o papa Bento XVI tenha posteriormente revogado as excomunhões, a Fraternidade São Pio X nunca foi plenamente reintegrada à comunhão canônica da Igreja Católica. .
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