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Turquia emite mandado de prisão contra Netanyahu por flotilha

'Não aceitamos que o governo de Israel seja intocável', disse ministro

21 ago 2026 - 10h19
(atualizado às 10h36)
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Resumo
A Turquia emitiu um mandado internacional de prisão contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acusando-o de genocídio e crimes contra a humanidade devido à interceptação de flotilhas humanitárias destinadas a Gaza. O pedido de Alerta Vermelho amplia o isolamento de Netanyahu, já alvo do Tribunal Penal Internacional, e intensifica as tensões diplomáticas e militares entre Ancara e Tel Aviv, agravadas por recentes conflitos e bombardeios na região da Síria.

A Turquia emitiu um mandado internacional de prisão contra o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, no âmbito de uma investigação sobre a interceptação de flotilhas humanitárias em direção à Faixa de Gaza.

Premiê Benjamin Netanyahu é acusado pela Turquia de 'genocídio'
Premiê Benjamin Netanyahu é acusado pela Turquia de 'genocídio'
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A medida foi anunciada nesta sexta-feira (21) pelo ministro da Justiça turco, Akin Gurlek, em meio à crescente tensão entre os dois países por causa da Síria.

"Em cumprimento aos mandados de prisão expedidos em 14 de julho de 2026 contra Benjamin Netanyahu e Afek Moskovitch pelo crime de genocídio, nosso Ministério da Justiça solicitou ao Ministério do Interior a emissão de um Alerta Vermelho para a captura internacional de ambos, e a documentação pertinente foi encaminhada ao Ministério das Relações Exteriores", explicou Gurlek.

Netanyahu e o homem identificado como "Afek Moskovitch" estão sendo julgados por "crimes contra a humanidade, genocídio, privação agravada de liberdade, lesão corporal intencional, tortura, dano a bens, roubo qualificado e sequestro de veículos de transporte", no âmbito da investigação sobre as intervenções armadas contra a Flotilha Global Sumud.

A organização realizou diversas tentativas de levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza, mas sempre acabou impedida por Israel, que prendeu os ativistas em águas internacionais e depois os deportou.

"Não aceitamos de forma alguma a ideia de que o governo Netanyahu, que conduz uma política de genocídio em Gaza, seja intocável e isento de prestação de contas. Utilizaremos com determinação todas as possibilidades do direito nacional e internacional", reforçou o ministro turco.

Já a Flotilha Global Sumud afirmou que o mandado de prisão "contribui para romper uma impunidade que já dura tempo demais".

"Aquilo que sofremos ? ataques, interceptações ilegais em águas internacionais, sequestros de embarcações, prisões e violências ? é grave e deve ter consequências no plano da justiça internacional", disse Maria Elena Delia, porta-voz da organização na Itália.

Netanyahu já é alvo de um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia por crimes contra a humanidade na recente guerra na Faixa de Gaza.

O anúncio da Turquia chega em um momento de crescente tensão com Israel, após um bombardeio do país judeu contra uma base militar no centro da Síria. Netanyahu acusa Ancara de aumentar a presença militar na fronteira com a nação árabe, enquanto o governo turco nega.

"Não vamos tolerar um enraizamento militar turco em direção ao sul porque isso nos ameaça", declarou o premiê nesta semana. Já o gabinete do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, respondeu que as acusações do primeiro-ministro refletem seu "isolamento político".

Ansa - Brasil
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