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Trump promete desbloquear Estreito de Ormuz apesar das ameaças do Irã

O presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou uma operação a partir desta segunda‑feira (4) para desbloquear navios parados há dois meses no Estreito de Ormuz. Segundo o comando militar americano para o Oriente Médio (Centcom), a ação envolveria destróieres lança‑mísseis, mais de uma centena de aeronaves e 15.000 soldados.

4 mai 2026 - 07h24
(atualizado às 08h27)
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que suas opções em relação ao Irã são “simplesmente bombardeá‑los até o inferno” ou “tentar fechar um acordo”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que suas opções em relação ao Irã são “simplesmente bombardeá‑los até o inferno” ou “tentar fechar um acordo”.
Foto: RFI

A Marinha dos Estados Unidos escoltará navios de países "que nada têm a ver com o conflito no Oriente Médio", disse Trump. De acordo com o presidente americano, a decisão é "um gesto humanitário" e de "boa vontade" em favor dos marinheiros afetados pelo fechamento da passagem estratégica.

Caso a operação — batizada de Project Freedom ("Projeto Liberdade") — seja obstruída pelo Irã, os EUA vão "usar a força", disse Trump, que ao mesmo tempo elogiou discussões "muito positivas" com Teerã, mediadas pelo Paquistão.

O Irã ameaçou atacar o Exército americano caso as tropas do país coloquem o plano em ação.

"Qualquer força armada estrangeira, em particular o Exército americano, que se aproxime do Estreito de Ormuz ou entre nele, será alvo de ataque", declarou o general Ali Abdollahi, chefe do comando das Forças Armadas.

O presidente da comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, já havia alertado que qualquer intervenção americana no Estreito será considerada uma violação do cessar-fogo, que entrou em vigor em 8 de abril.

Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o Irã bloqueia o Estreito de Ormuz, por onde normalmente transita um quinto do consumo mundial de petróleo. Washington respondeu no início de abril bloqueando os portos iranianos.

Donald Trump diz não estar satisfeito com nova proposta do Irã para encerrar a guerra:

Nesta segunda-feira, o presidente francês Emmanuel Macron pediu a reabertura do Estreito de Ormuz após "concertação" entre "o Irã e os Estados Unidos". Ele demonstrou ceticismo quanto à nova operação lançada por Donald Trump, que, segundo ele, é desprovida de "clareza".

Preço do petróleo 

O bloqueio do estreito fez disparar os preços do petróleo ao maior nível desde 2022 e a invasão da Ucrânia pela Rússia. Os preços se estabilizaram nesta segunda nos mercados asiáticos, com o barril de Brent, referência mundial, em alta de 0,39%, a US$ 108,59, bem distante dos US$ 126 superados na quinta-feira.

O número de navios comerciais presentes no Golfo era de 913 em 29 de abril, incluindo 270 petroleiros e cerca de cinquenta navios de gás, informou na quinta-feira (30) a empresa especializada em monitoramento marítimo AXSMarine.

Cerca de 20 mil marinheiros estariam envolvidos, segundo um alto funcionário da agência britânica de segurança marítima UKMTO.

"Muitos desses navios sofrem escassez de alimentos e de tudo o que é necessário para permitir que as tripulações permaneçam a bordo de forma saudável", ressaltou Trump.

Desde o início da guerra, que provocou milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano, Teerã instituiu, na prática, tarifas de passagem para atravessar o Estreito de Ormuz.

A situação permanece bloqueada desde o cessar-fogo, após quase quarenta dias de ataques israelenses e americanos contra o Irã e de represálias de Teerã na região.

Entre o Estreito de Ormuz e a questão nuclear, ainda há vários pontos de divergência, e os esforços para retomar as negociações fracassaram, apesar de um primeiro encontro direto no Paquistão, em 11 de abril.

Para dar uma nova chance às discussões, Teerã apresentou uma nova proposta a Washington, que respondeu, informou no domingo a diplomacia iraniana. 

Segundo a agência Tasnim, Teerã exige a retirada das forças americanas das áreas próximas ao Irã, o fim do bloqueio aos portos iranianos e do congelamento dos ativos do país, o financiamento de reparações, a suspensão das sanções, um "mecanismo" relativo ao Estreito de Ormuz e "o fim da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano".

O Irã pediu nesta segunda‑feira que os Estados Unidos abandonem suas "exigências excessivas", após receber uma resposta de Washington à sua nova proposta no âmbito das negociações de paz entre os dois países.

"Neste momento, nossa prioridade é pôr fim à guerra. Não podemos ignorar as lições do passado. Negociamos duas vezes sobre os aspectos nucleares e, simultaneamente, fomos atacados pelos Estados Unidos", declarou o porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaïl Baghai.

"A outra parte precisa se decidir a adotar uma abordagem razoável e abandonar as exigências excessivas em relação ao Irã", acrescentou ele durante a habitual coletiva de imprensa semanal, transmitida pela televisão estatal.

A questão nuclear não integra o plano, embora seja um tema central para os Estados Unidos e Israel, que acusam o Irã de querer desenvolver a bomba atômica — o que a República Islâmica nega.

Com agências

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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