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Trump culpa democratas por morte de crianças na fronteira

Presidente disse que a 'patética política migratória' de seus opositores é o que motiva os imigrantes ilegais a fazerem a travessia

30 dez 2018
12h13
atualizado às 12h15
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WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, responsabilizou, neste sábado, 29, os democratas pela morte de duas crianças guatemaltecas sob custódia da patrulha fronteiriça americana, em meio a um confronto político em razão da paralisação parcial do governo.

Presidente dos EUA, Donald Trump, fala com jornalistas em base no Iraque
26/12/2018 REUTERS/Jonathan Ernst
Presidente dos EUA, Donald Trump, fala com jornalistas em base no Iraque 26/12/2018 REUTERS/Jonathan Ernst
Foto: Reuters

"Qualquer morte de crianças ou outras pessoas na fronteira é estritamente culpa dos democratas e de sua patética política migratória, que permite às pessoas fazer uma longa viagem achando que podem entrar ilegalmente em nosso país", escreveu o presidente no Twitter.

"Não podem. Se tivéssemos o Muro, sequer tentariam!", acrescentou.

A morte de duas crianças guatemaltecas - um menino de oito anos, morto em 24 de dezembro, e uma menina de sete, em 8 de dezembro - enquanto estavam detidas, após cruzarem a fronteira do México de forma ilegal, causou uma onda de críticas.

A Guatemala pediu uma "investigação clara" do ocorrido.

"As crianças estavam muito doentes antes de serem entregues à patrulha fronteiriça. O pai da menina disse que não foi culpa deles, ele que não havia dado água a ela por dias", continuou Trump.

"A Patrulha Fronteiriça precisa do muro e tudo isto terminará. Estão trabalhando muito duro e recebem muito pouco crédito!", exclamou o presidente em seu tuíte.

"O presidente cai sempre ao nível mais baixo com seus tuítes ridículos", criticou o deputado democrata Dwight Evans no Twitter. "Seu governo é a causa da dor e do sofrimento na fronteira. Nada do que disser mudará esta realidade", afirmou. Já para o Washington Post, "Trump politiza a morte de duas crianças imigrantes para marcar pontos em sua guerra sobre o muro fronteiriço".

Há três dias, a secretária de Segurança Interna dos EUA, Kirstjen Nielsen, atribuiu a morte de uma criança ao aumento das detenções na fronteira e ao fato de que cada vez mais imigrantes chegam doentes ao país.

Segundo Kirstjen, nos últimos dois meses a Patrulha Fronteiriça deteve 139.817 imigrantes ilegais na fronteira com o México, 86% a mais que os 74.946 detidos no mesmo período do ano passado.

Nielsen responsabilizou traficantes, contrabandistas e os próprios pais das crianças de "pôr em risco (suas vidas) ao embarcar na perigosa e difícil viagem para o norte", e disse que é patente que os imigrantes ilegais, "especialmente as crianças, apresentam cada vez mais problemas médicos e abrigam doenças" causadas pela dureza de tal périplo

Disputa partidária

Para conter a imigração, Trump quer construir um muro na fronteira com o México, cujo orçamento de US$ 5 bilhões é alvo de uma disputa com a oposição democrata, o que provocou a paralisação parcial do governo federal desde 22 de dezembro.

Mais cedo neste sábado, o presidente voltou a responsabilizar os democratas pela paralisação orçamentária. "Estou na Casa Branca esperando que os democratas venham e façam um acordo sobre Segurança Fronteiriça", tuitou.

O presidente já havia prometido que não cederá até que consiga os fundos para o muro. Ele também ameaçou fechar totalmente a fronteira com o México caso não consiga uma acordo sobre a questão.

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Estadão
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