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Trump atribui vitória da extrema direita alemã nas eleições estaduais à imigração

9 set 2026 - 11h17
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Resumo
Donald Trump atribuiu a vitória inédita do partido de extrema direita AfD na Saxônia-Anhalt às regras de imigração alemãs, que chamou de "horríveis". O resultado histórico abala o governo do chanceler Friedrich Merz, cujo porta-voz rejeitou interferências externas e anunciou o adiamento de um telefonema entre os líderes. O episódio amplia o desgaste diplomático entre Berlim e Washington, já tensionado por divergências tarifárias e geopolíticas desde o retorno do republicano ao poder.

O presidente dos Estados Unidos, Donald ‌Trump, atribuiu a vitória do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) em uma eleição estadual às regras e regulamentações de imigração, que ele classificou como "horríveis".

A AfD, impulsionada pela ansiedade da população diante da imigração em massa, alcançou o primeiro lugar no domingo nas eleições na ⁠Saxônia-Anhalt -- a primeira vez que um partido de extrema direita chega tão ‌perto do poder em nível estadual desde a Segunda Guerra Mundial.

Trump há muito acusa vários países europeus, incluindo a Alemanha, de perderem o ‌controle de suas fronteiras, em decorrência de ‌um grande influxo de migrantes e requerentes de asilo, especialmente do ⁠Oriente Médio e do Afeganistão, na última década.

"Uau! O Partido Populista na Alemanha acabou de ter uma noite realmente grandiosa. Eles finalmente se cansaram das regras e regulamentações de imigração absolutamente horríveis que prejudicaram tanto a Alemanha", escreveu Trump no Truth Social.

Ulrich Siegmund, da AfD, que espera ‌se tornar o novo primeiro-ministro da Saxônia-Anhalt após a eleição de domingo, ‌prometeu "deportações (de imigrantes ilegais) desde ⁠o primeiro minuto", ⁠ecoando as próprias políticas de Trump.

A vitória da AfD também representa um dos maiores ⁠reveses para os conservadores do chanceler ‌Friedrich Merz desde que ‌voltaram ao poder em nível nacional na Alemanha, há mais de um ano.

Quando questionado sobre a eleição na Saxônia-Anhalt na quarta-feira, o porta-voz-chefe de Merz, Stefan Kornelius, se recusou a comentar diretamente sobre ⁠a postagem de Trump nas redes sociais.

Mas acrescentou que Merz já havia indicado, no passado, que intervenções ou comentários do exterior sobre a política interna alemã, especialmente eleições, estão "fora de questão" para o chanceler.

Na mesma coletiva de imprensa de rotina, Kornelius ‌disse que o governo adiou uma ligação telefônica planejada entre Merz e Trump por ocasião do próximo 25º aniversário dos ataques de 11 ⁠de setembro nos EUA.

"O lado alemão adiou essa ligação hoje. Ainda não foi definida uma nova data", disse ele, recusando-se a dar um motivo para o adiamento.

Os EUA e a Alemanha têm sido tradicionalmente aliados próximos, mas sua relação tem sido posta à prova desde o retorno de Trump ao cargo, com visões divergentes sobre uma série de temas, incluindo tarifas, a guerra contra o Irã e o apoio à Ucrânia.

Kornelius afirmou que a Alemanha continua pronta para defender os valores que definem e unem os dois países. "São eles: liberdade, democracia e respeito", disse.

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