Trump atribui vitória da extrema direita alemã nas eleições estaduais à imigração
Donald Trump atribuiu a vitória inédita do partido de extrema direita AfD na Saxônia-Anhalt às regras de imigração alemãs, que chamou de "horríveis". O resultado histórico abala o governo do chanceler Friedrich Merz, cujo porta-voz rejeitou interferências externas e anunciou o adiamento de um telefonema entre os líderes. O episódio amplia o desgaste diplomático entre Berlim e Washington, já tensionado por divergências tarifárias e geopolíticas desde o retorno do republicano ao poder.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuiu a vitória do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) em uma eleição estadual às regras e regulamentações de imigração, que ele classificou como "horríveis".
A AfD, impulsionada pela ansiedade da população diante da imigração em massa, alcançou o primeiro lugar no domingo nas eleições na Saxônia-Anhalt -- a primeira vez que um partido de extrema direita chega tão perto do poder em nível estadual desde a Segunda Guerra Mundial.
Trump há muito acusa vários países europeus, incluindo a Alemanha, de perderem o controle de suas fronteiras, em decorrência de um grande influxo de migrantes e requerentes de asilo, especialmente do Oriente Médio e do Afeganistão, na última década.
"Uau! O Partido Populista na Alemanha acabou de ter uma noite realmente grandiosa. Eles finalmente se cansaram das regras e regulamentações de imigração absolutamente horríveis que prejudicaram tanto a Alemanha", escreveu Trump no Truth Social.
Ulrich Siegmund, da AfD, que espera se tornar o novo primeiro-ministro da Saxônia-Anhalt após a eleição de domingo, prometeu "deportações (de imigrantes ilegais) desde o primeiro minuto", ecoando as próprias políticas de Trump.
A vitória da AfD também representa um dos maiores reveses para os conservadores do chanceler Friedrich Merz desde que voltaram ao poder em nível nacional na Alemanha, há mais de um ano.
Quando questionado sobre a eleição na Saxônia-Anhalt na quarta-feira, o porta-voz-chefe de Merz, Stefan Kornelius, se recusou a comentar diretamente sobre a postagem de Trump nas redes sociais.
Mas acrescentou que Merz já havia indicado, no passado, que intervenções ou comentários do exterior sobre a política interna alemã, especialmente eleições, estão "fora de questão" para o chanceler.
Na mesma coletiva de imprensa de rotina, Kornelius disse que o governo adiou uma ligação telefônica planejada entre Merz e Trump por ocasião do próximo 25º aniversário dos ataques de 11 de setembro nos EUA.
"O lado alemão adiou essa ligação hoje. Ainda não foi definida uma nova data", disse ele, recusando-se a dar um motivo para o adiamento.
Os EUA e a Alemanha têm sido tradicionalmente aliados próximos, mas sua relação tem sido posta à prova desde o retorno de Trump ao cargo, com visões divergentes sobre uma série de temas, incluindo tarifas, a guerra contra o Irã e o apoio à Ucrânia.
Kornelius afirmou que a Alemanha continua pronta para defender os valores que definem e unem os dois países. "São eles: liberdade, democracia e respeito", disse.
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