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Talibãs afegãos estão abertos a negociar após bombardeios do Paquistão

27 fev 2026 - 12h39
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Os governantes talibãs do Afeganistão disseram nesta sexta-feira que ‌estavam dispostos a negociar, depois que o Paquistão bombardeou suas forças em grandes cidades e que dezenas de soldados foram mortos.

Os ataques do Paquistão representam a primeira vez que o país atacou diretamente seus antigos aliados talibãs, sob a alegação de que eles estariam abrigando militantes. O Paquistão descreveu a situação como "guerra aberta".

Alvos na capital Cabul e na cidade de Kandahar, onde estão baseados os líderes do Talibã, foram atingidos, sinalizando uma ruptura drástica nas relações entre os vizinhos islâmicos.

Densas colunas de fumaça preta subiam de dois locais em ⁠Cabul, e um enorme incêndio também era visível em um vídeo verificado pela Reuters.

"O avião chegou, lançou duas bombas e foi embora. Depois ‌disso, ouvimos explosões", disse Tamim, um taxista de Cabul que estava dormindo quando os ataques começaram.

Fontes de segurança no Paquistão disseram que os ataques envolveram mísseis ar-terra contra escritórios e postos militares do Talibã, em resposta aos ataques afegãos de quinta-feira.

O Talibã afirmou que ‌as forças afegãs usaram drones para atingir alvos militares paquistaneses. O Paquistão declarou que ‌todos os drones foram abatidos e que não houve danos.

CATAR BUSCA RESOLVER CRISE

Vários confrontos terrestres foram relatados ao longo da ⁠fronteira. O Paquistão afirmou ter matado 274 membros do Talibã, entre oficiais e militantes, enquanto o Afeganistão disse ter matado 55 soldados paquistaneses -- números que a Reuters não conseguiu verificar.

O Paquistão confirmou a morte de 12 de seus soldados e o Afeganistão afirmou ter perdido 13 combatentes talibãs.

O Talibã, que nega patrocinar ataques militantes contra o Paquistão e faz acusações semelhantes contra seu vizinho, afirmou ter lançado, na quinta-feira, o que descreveu como ataques retaliatórios contra instalações militares paquistanesas, mas que estava pronto para negociar.

"O Afeganistão nunca apoiou a ‌violência e sempre preferiu resolver as questões com base na compreensão e no respeito mútuos", afirmou o ministro das Relações Exteriores afegão, Amir Khan ‌Muttaqi, ao ministro adjunto das Relações Exteriores ⁠do Catar, Mohammed bin Abdulaziz Al-Khalifi, ⁠por telefone, segundo o Ministério das Relações Exteriores do Afeganistão.

"No entanto, essa abordagem só será eficaz se a outra parte demonstrar uma vontade prática e ⁠sincera de encontrar soluções."

O Catar, que ajudou a pôr fim aos combates entre ‌os dois países no ano passado, está ‌trabalhando com outras nações para ajudar a resolver a crise mais recente, acrescentou o comunicado.

Os ataques ameaçam desencadear um conflito prolongado ao longo da fronteira de 2.600km.

"Nossa paciência se esgotou. Agora é guerra aberta entre nós e vocês (Afeganistão)", disse nesta sexta-feira o ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Muhammad Asif.

O Ministério das Relações Exteriores do Paquistão alertou que quaisquer novas provocações do Talibã, ⁠ou tentativas de qualquer "grupo terrorista" de atacar paquistaneses, serão recebidas com uma "resposta ponderada, decisiva e adequada".

O Paquistão possui armas nucleares e suas capacidades militares são muito superiores às do Afeganistão. No entanto, o Talibã é especialista em conflito de guerrilha, tendo adquirido experiência em décadas de combates com as forças lideradas pelos EUA, antes de retornar ao poder, em 2021.

PÂNICO EM CABUL

Testemunhas da Reuters em Cabul disseram que muitas sirenes de ambulâncias podiam ser ouvidas após fortes explosões e ‌o som de jatos.

O porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, afirmou que as forças paquistanesas realizaram ataques aéreos em partes de Cabul, Kandahar e Paktia na noite de quinta-feira, e em Paktia, Paktika, Khost e Laghman, nesta sexta-feira.

Embora não tenha havido vítimas nos ataques ⁠noturnos, houve vítimas civis nos ataques de sexta-feira, disse ele aos repórteres, sem divulgar números.

"O Emirado Islâmico do Afeganistão sempre procurou resolver as questões por meio do diálogo, e agora também queremos resolver esta questão por meio do diálogo", disse Mujahid.

ALTA SEGURANÇA

Os confrontos entre o Paquistão e o Afeganistão em outubro deixaram dezenas de soldados mortos, até que negociações facilitadas pela Turquia, pelo Catar e pela Arábia Saudita puseram fim às hostilidades.

O Paquistão está em alerta máximo de segurança desde que lançou ataques aéreos no início desta semana, que Islamabad afirmou terem como alvo campos de militantes do Talibã paquistanês e do Estado Islâmico no leste do Afeganistão.

Cabul e as Nações Unidas afirmaram que os ataques mataram 13 civis, e o Talibã alertou que haverá uma forte resposta.

O governo da província de Punjab, no Paquistão, afirmou nesta sexta-feira que estava em alerta máximo para possíveis ataques de militantes e que realizou uma série de operações de segurança, levando 90 cidadãos afegãos para centros de detenção para deportação.

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