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'Fui sequestrado e sigo presidente': o que Maduro disse sobre acusações de Trump em tribunal de NY

Líder venezuelano foi acusado pelo governo americano de orquestrar conspiração narcoterrorista, dentre outros crimes, ao ser preso no sábado passado.

5 jan 2026 - 14h58
(atualizado às 18h01)
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Ilustração de Maduro em tribunal de NY, onde foi proibido fotografar a audiência
Ilustração de Maduro em tribunal de NY, onde foi proibido fotografar a audiência
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Durante sua primeira audiência no tribunal federal de Nova York, nos Estados Unidos, nesta segunda-feira (5/1), Nicolás Maduro se declarou inocente das acusações de tráfico de drogas, disse que continua sendo o presidente da Venezuela e que é um "prisioneiro de guerra".

Maduro é acusado de conspiração narcoterrorista, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos e outros crimes.

"Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente, o presidente do meu país", disse ele, por meio de um intérprete, segundo a CBS, parceria da BBC nos EUA.

O líder venezuelano chegou ao tribunal usando um uniforme prisional, com os pés algemados, junto com sua esposa, Cilia Flores. Ela também se declarou inocente.

O casal foi capturado pelos Estados Unidos durante um ataque surpresa na Venezuela nas primeiras horas de sábado (3/1).

Alguns manifestantes, portando bandeiras da Venezuela e cartazes a favor e contra Maduro, acompanharam a audiência do lado de fora.

Assim que entrou no local, Maduro acenou com a cabeça e pareceu dizer "Buenos días" (Bom dia, em espanhol) para algumas pessoas na plateia.

A audiência foi conduzida pelo juiz distrital Alvin K. Hellerstein. Logo no início, ele pediu que Maduro confirmasse que ele era de fato Nicolás Maduro.

O ex-governante da Venezuela aproveitou a oportunidade para dizer ao tribunal que ainda era presidente e que havia sido sequestrado.

"Fui capturado em minha casa em Caracas, Venezuela", disse em espanhol.

O juiz o interrompeu, dizendo que haveria um "momento e lugar" mais apropriados para ele compartilhar essa informação.

O momento mais tenso aconteceu no fim da audiência, quando uma pessoa na plateia começou a gritar para Maduro que ele "pagaria" pelo que havia feito.

Maduro se virou e respondeu em espanhol que era um "presidente sequestrado" e um "prisioneiro de guerra", antes de ser escoltado para fora, algemado, atrás de sua esposa, pela porta dos fundos.

A audiência durou cerca de 40 minutos. Maduro e a esposa foram levados de volta ao Centro de Detenção Metropolitano (MDC, na sigla em inglês), no Brooklyn, onde permanecerão enquanto respondem as acusações da justiça americana.

A próxima audiência foi marcada para o dia 17 de março.

Maduro foi levado ao tribunal, em Nova York, nesta segunda-feira (5/1)
Maduro foi levado ao tribunal, em Nova York, nesta segunda-feira (5/1)
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

A captura de Maduro

Maduro e a esposa foram capturados em Caracas por volta das 3h da manhã (horário de Brasília) de sábado.

Explosões foram ouvidas na capital da Venezuela e vídeos gravados por moradores mostravam colunas de fumaça e detonações, além de algumas aeronaves voando a baixa altitude.

A detenção de Maduro foi comunicada por Donald Trump pela rede social Truth Social.

Em coletiva de imprensa, o general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto americano, compartilhou detalhes do planejamento da operação, batizada de "Operação Resolução Absoluta".

O militar afirmou que as forças armadas dos EUA mantiveram "totalmente o elemento surpresa", desmantelando e desativando os sistemas de defesa aérea venezuelanos.

Segundo ele, ao chegarem ao complexo onde Maduro estava, os helicópteros americanos "foram alvejados" e responderam com "força esmagadora".

Um helicóptero foi atingido, mas todas as aeronaves americanas conseguiram retornar à base, afirmou.

Maduro e sua esposa então "desistiram", foram detidos pelo Departamento de Justiça e conduzidos, por via área, ao porta-aviões americano USS Iwo Jima, seguindo para a Base Naval de Guantánamo (Cuba).

De lá, o casal foi levado de avião até Nova York e depois encaminhado para a sede da DEA (agência antidrogas dos EUA) antes de ser transferido para o Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn.

O presidente dos EUA, Donald Trump, descreveu a ação militar que resultou na detenção de Maduro e de sua esposa como "um dos ataques mais precisos" da história do país.

Os Estados Unidos há muito tempo acusam Nicolás Maduro de liderar uma organização internacional de tráfico de drogas — algo que Maduro nega.

Mapa de Nova York mostra 2 pontos: 

- Sede da DEA
- Maduro e Flores estão presos no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn
Mapa de Nova York mostra 2 pontos: - Sede da DEA - Maduro e Flores estão presos no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn
Foto: BBC News Brasil

Quem governa a Venezuela?

Na tarde desta segunda-feira (5/1), a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, tomou posse como presidente interina em cerimônia realizada na Assembleia Nacional, em Caracas.

A Suprema Corte da Venezuela já havia determinado que ela assumisse a chefia do Estado diante da "ausência forçada" de Maduro, conforme prevê a Constituição.

Rodriguez tem apoio do ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino. Ele anunciou no domingo que o exército a respaldava presidente interna.

A presidente interina da Venezuela condenou a ação dos EUA e classificoy a captura de Maduro e sua esposa como "sequestro ilegal e ilegítimo".

"O que está sendo feito com a Venezuela é uma barbaridade", afirmou Delcy Rodríguez em discurso transmitido em rede nacional de rádio e televisão no sábado.

Em entrevista à revista americana The Atlantic, publicada neste domingo (04/01), o presidente americano Donald Trump ameaçou tomar medidas contra Rodriguez, caso ela não seguisse os planos de Washington.

"Se ela não fizer o que é certo, pagará um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro", disse ele à revista.

Sobre o futuro da Venezuela, o republicano afirmou: "Uma mudança de regime, ou qualquer outro nome que se queira dar, é melhor do que a situação atual. Não dá para piorar".

No sábado, horas após a prisão de Maduro, Trump disse que os EUA iriam governar a Venezuela "até que uma transição segura, adequada e criteriosa" fosse concluída.

O presidente americano também afirmou que a economia petrolífera na Venezuela está um "fracasso" e acrescentou que os EUA estão "prontos" para realizar um segundo ataque "muito maior" ao país, se necessário.

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