'Rússia vai retomar controle do Donbass à força se tropas ucranianas não se retirarem', diz Putin
O presidente russo, Vladimir Putin, reiterou nesta quinta-feira (4) que a Rússia tomará o controle total do Donbass "à força" se o Exército ucraniano não se retirar da região. Kiev se recusa a ceder o território, um dos pontos mais polêmicos do plano de paz proposto pelo presidente americano Donald Trump.
"Ou libertamos esses territórios à força, ou as tropas ucranianas os abandonam", declarou Putin ao jornal India Today antes de uma visita a Nova Délhi, de acordo com um vídeo divulgado pela TV estatal russa.
Desde 2022, Moscou considera que as regiões ucranianas de Luhansk, Donetsk, Kherson e Zaporíjia fazem parte de seu território, após "referendos" contestados por Kiev e seus aliados ocidentais. A Rússia já havia anexado a Crimeia em 2014, violando o direito internacional.
Após sua reunião com Steve Witkoff e Jared Kushner no Kremlin na terça-feira (2), Putin declarou que a Rússia aceitou algumas propostas americanas sobre a Ucrânia, mas sem dar maiores detalhes.
Trump afirmou, na noite de quarta (3) para quinta-feira, que o futuro das negociações é incerto devido à falta de compromisso entre russos e ucranianos, mas considerou a reunião "relativamente boa".
O presidente americano disse acreditar que Putin "queira chegar a um acordo", mesmo mantendo certas exigências, principalmente territoriais.
A Rússia controla toda a região de Luhansk e 80% da região de Donetsk — as duas áreas que compõem o Donbass — desde sua primeira invasão em 2014, sob o pretexto de apoiar forças "separatistas". O país vem tentando há quase quatro anos conquistar os territórios restantes.
A Ucrânia rejeita a ideia de ceder territórios a Moscou. Segundo o presidente Volodymyr Zelensky, a Rússia não deve ser recompensada por uma guerra que ela própria iniciou. "Não esquecemos os nomes daqueles que traíram gerações futuras em Munique (em 1938)", declarou nesta quinta-feira o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha.
Na época, a assinatura do Acordo de Munique, um pacto entre Alemanha, Reino Unido, França e Itália, permitiu à Alemanha nazista anexar a região dos Sudetos, parte da Tchecoslováquia. O argumento foi a proteção da população de origem alemã que vivia na região.
"Isso nunca deve se repetir. Os princípios devem ser respeitados, e precisamos de uma paz verdadeira, não de apaziguamento", acrescentou durante a reunião anual do conselho ministerial da OSCE.
O presidente francês, Emmanuel Macron, reforçou essa posição durante uma visita à China nesta quinta-feira, onde se encontrou com Xi Jinping. "Devemos fazer tudo para que sejam encontrados compromissos, mas garantindo que o direito internacional seja preservado e que a estabilidade seja duradoura", afirmou.
Combates e bombardeios
No Donbass, os combates se concentram há mais de um ano em torno da cidade de Pokrovsk, um antigo centro logístico considerado estratégico na rota para as duas últimas grandes cidades da região de Donetsk, que ainda são controladas pela Ucrânia.
Moscou reivindicou no início da semana a conquista da cidade, reduzida a ruínas, mas o chefe do Estado-Maior ucraniano, Oleksandr Syrsky, assegurou novamente nesta quinta-feira que os combates continuam nos bairros do norte de Pokrovsk.
Além dos combates no setor, o Exército russo segue lançando ataques ao longo de toda a linha de frente, que se estende por 1.200 quilômetros e bombardeia todas as noites as infraestruturas energéticas e industriais da Ucrânia.
Dezenas de milhares de ucranianos ficaram sem eletricidade e aquecimento nesta quinta-feira no sul do país, após ataques noturnos que atingiram especialmente as cidades de Kherson e Odessa. "Mais uma vez, os terroristas fazem guerra contra a população civil", denunciou o governador da região de Kherson, Oleksandr Prokoudine.
Com agências
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