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Rússia enfrenta escassez de combustíveis e alta de preços sob impacto da guerra

A Rússia vive uma crescente crise de abastecimento energético, marcada por alta nos preços dos combustíveis, tensões logísticas e episódios de escassez em várias regiões do país. Desde 2025, esse cenário vem se agravando, afetando diretamente o cotidiano da população e revelando fragilidades em um setor estratégico da economia russa.

24 jun 2026 - 11h22
(atualizado às 12h41)
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A crise do combustível revela um paradoxo: mesmo sendo uma potência energética global, a Rússia enfrenta dificuldades para garantir o abastecimento interno.

Vista de um posto de gasolina da Rosneft em Moscou, em 24 de junho de 2026.
Vista de um posto de gasolina da Rosneft em Moscou, em 24 de junho de 2026.
Foto: AFP - IGOR IVANKO / RFI

O país enfrenta dificuldades crescentes no fornecimento de combustíveis. A escassez já foi registrada em dezenas de regiões, incluindo grandes centros urbanos como Moscou e São Petersburgo, além de áreas mais afastadas, como a Sibéria, o extremo oriente e a Crimeia.

Em algumas localidades, as autoridades foram obrigadas a adotar medidas emergenciais. Entre elas, limites de abastecimento por veículo, racionamento e, em casos extremos, suspensão temporária das vendas.

Filas em postos de gasolina tornaram-se mais frequentes, e mercados paralelos começaram a surgir, com combustíveis sendo vendidos a preços muito superiores aos praticados oficialmente.

A crise também afeta setores específicos da economia. Na aviação leve, por exemplo, operadores passaram a utilizar gasolina automotiva como alternativa ao combustível aeronáutico, ilustrando o grau de desorganização na cadeia de suprimentos.

Guerra e ataques às refinarias

A principal causa da crise está diretamente ligada à guerra na Ucrânia. Desde 2025, as forças ucranianas intensificaram ataques com drones a refinarias e instalações petrolíferas russas, provocando danos significativos à infraestrutura energética do país.

Esses ataques reduziram a capacidade de refino e obrigaram algumas unidades a interromper ou limitar suas operações. Em determinados períodos, a produção de gasolina caiu de forma expressiva em comparação com o ano anterior.

Além das refinarias, depósitos e redes de distribuição também foram atingidos, o que agravou os problemas logísticos e dificultou o transporte de combustíveis para diferentes regiões.

Ao mesmo tempo, a demanda interna aumentou, especialmente durante o verão e nos períodos de atividade agrícola intensificada, pressionando ainda mais o equilíbrio entre oferta e demanda.

Preços mais altos

O aumento do preço dos combustíveis tem sido um dos sinais mais visíveis da crise. Ao longo de 2025, a gasolina registrou uma elevação contínua, refletindo tanto mudanças internas na política econômica quanto pressões externas.

Em setembro daquele ano, o valor nos postos já superava em cerca de 6,7% o registrado no fim de 2024. No mercado atacadista, os preços atingiram níveis próximos de recordes, com o combustível mais popular no país ultrapassando os 82 mil rublos por tonelada.

Em algumas regiões, a valorização foi ainda mais acentuada. Há relatos de aumentos de até 50% ao longo de 2025, enquanto picos mais recentes apontam para altas superiores a 30% em poucos meses, impulsionadas por interrupções no abastecimento.

Medidas emergenciais do governo

Diante do agravamento da situação, o Kremlin implementou uma série de medidas para tentar estabilizar o mercado interno. Entre as principais ações, estão a proibição das exportações de gasolina, com o objetivo de garantir o abastecimento doméstico, e a adoção de subsídios para importação de combustíveis. O governo também aprovou alterações tributárias e flexibilizou normas para permitir o uso de misturas com combustíveis de menor qualidade.

Além disso, autoridades passaram a considerar a importação de combustíveis por via marítima, uma iniciativa incomum para um país tradicionalmente exportador de petróleo.

Há ainda discussões sobre possíveis restrições adicionais, incluindo a limitação das exportações de diesel, em uma tentativa de conter a escalada de preços internos.

Impactos econômicos e incertezas

A combinação de escassez, inflação e disrupções logísticas tem provocado efeitos mais amplos na economia, contribuindo para a desaceleração do crescimento e pressionando o custo de vida da população.

Especialistas apontam que a situação deve continuar instável, especialmente em regiões mais vulneráveis à guerra ou com infraestrutura mais frágil. Os ataques constantes à cadeia energética mantêm elevado o grau de incerteza sobre a evolução do mercado.

A crise atual representa mais do que um problema conjuntural. Ela expõe a vulnerabilidade de um dos pilares da economia russa em um contexto de guerra prolongada e pressão internacional.

Com agências

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