Keiko Fujimori alcança vantagem irreversível e deve ser confirmada vencedora no Peru, mas Sánchez ainda contesta resultado
Após confirmação, Fujimori deve assumir o cargo em 28 de julho para um mandato de cinco anos, em um momento em que o país enfrenta o aumento da criminalidade, corrupção e instabilidade política.
A candidata conservadora Keiko Fujimori alcançou uma vantagem insuperável na apuração dos votos do segundo turno das eleições do Peru. Com isso, ela deve ser confirmada em breve como nova presidente do país.
Com 99,86% das urnas apuradas, Fujimori detinha 50,12% dos votos, uma margem de pouco mais de 43 mil votos sobre seu rival de esquerda, Roberto Sánchez, segundo dados divulgados online pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE)
Antes de declarar um vencedor, as autoridades eleitorais ainda precisam processar 131 planilhas de apuração, que representam cerca de 39.000 votos — um número insuficiente para permitir que Sánchez a alcance.
Na terça-feira (23/6), Sánchez alegou fraude nas eleições e convocou seus apoiadores para novas marchas de protesto no próximo sábado. O esquerdista disse ainda que pedirá recontagem.
"Acreditamos que houve manipulação da votação. Não reconheceremos o governo de Fujimori", disse Sánchez. O seu partido entrou na Justiça com um recurso para anular os votos registrados no exterior.
Segundo a agência de notícias Reuters, a autoridade eleitoral do Peru, a ONPE, anunciará oficialmente o vencedor em meados de julho.
Fujimori deve então assumir o cargo em 28 de julho para um mandato de cinco anos, em um momento em que o país enfrenta o aumento da criminalidade, corrupção e instabilidade política.
O país está desde o dia 7 de junho contando os votos do segundo turno da eleição que decide quem será o próximo presidente do país.
Keiko Fujimori, de 51 anos, representa o partido Força Popular, e o esquerdista Roberto Sánchez, de 57 anos, o Juntos por el Perú.
Na semana passada, Sánchez havia ganhado mais votos, com a apuração de urnas em áreas rurais, onde ele é mais popular.
A diferença, extremamente apertada, aumentou na reta final, quando as autoridades eleitorais começaram a contabilizar os votos dos peruanos residentes no exterior.
Quem é Keiko Fujimori?
A Keiko Fujimori podem ser atribuídas muitas coisas, mas não a falta de perseverança: após três derrotas, a candidata da Fuerza Popular deverá ser confirmada vencedora depois de chegar, pela quarta vez consecutiva, ao segundo turno.
Keiko se tornou uma das poucas figuras duradouras na política peruana, que nos últimos anos tem devorado seus líderes no ritmo frenético de sucessivos escândalos de corrupção.
Ela também teve o seu próprio escândalo: foi acusada de lavagem de dinheiro no caso de corrupção ligado à construtora brasileira Odebrecht. Chegou a passar mais de um ano na prisão. Em 2025, o Tribunal Constitucional acabou arquivando o processo. A decisão lhe permitiu voltar a ser candidata a tempo para estas eleições.
Para conquistar os eleitores cansados da corrupção e da insegurança, Fujimori não hesitou em reivindicar o legado de seu pai, que faleceu em 2024 e passou cerca de 16 anos na prisão após ser condenado por crimes contra a humanidade.
Com o slogan eleitoral de "volta à ordem", tentou associar sua imagem àquela que os admiradores têm de Alberto Fujimori: um líder firme que estabilizou um país abalado pela crise econômica e pela violência do Sendero Luminoso na década de 1990.
No entanto, seu pai continua sendo uma figura que gera divisões no Peru, e muitos também lembram as violações dos direitos humanos ocorridas sob seu comando, assim como os severos cortes decorrentes de suas reformas econômicas.
Seu sobrenome é seu grande ativo político, mas também seu principal fardo. De fato, a figura de Keiko sempre esteve ligada à de seu pai.
Nascida em 1975 e a mais velha de quatro irmãos, coube a ela assumir o papel institucional de primeira-dama do Peru quando o casamento de seus pais se desfez.
Foi então que os peruanos conheceram uma jovem Keiko como acompanhante de seu pai em atos públicos e viagens de Estado.
Após estudar Administração de Empresas nos Estados Unidos, regressou ao Peru e dedicou-se plenamente à política.
Em 2006, com seu pai já detido no Chile, foi eleita congressista pela primeira vez.
Cinco anos depois candidatou-se à presidência. Voltou a tentar em 2016 e 2021, perdendo em cada ocasião para políticos que não chegaram ao fim de seus mandatos.
Keiko manteve o controle do fujimorismo, mas isso teve um custo: conflitos familiares e decisões controversas, inclusive envolvendo seu próprio pai e irmão.
Em 2022 separou-se do empresário norte-americano Mark Vito, com quem teve duas filhas e que agora faz parte do mundo da televisão e do entretenimento peruano.
Esta foi a primeira vez que Keiko Fujimori foi candidata à presidência após a morte de seu pai. Durante a campanha, tentou aproveitar ainda mais esse capital político e a sensação de muitos peruanos de que o país vive uma situação excepcional que requer medidas firmes.
Entre suas propostas está a construção de megaprisões de segurança máxima e a retirada do Peru da Corte Interamericana de Direitos Humanos.
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