Único pároco de Gaza denuncia cenário de 'morte e destruição'
'Situação segue muito grave', disse Romanelli
O padre Gabriel Romanelli, pároco da Igreja da Sagrada Família, na Faixa de Gaza, denunciou nesta quinta-feira (14) os frequentes ataques que prosseguem pelo enclave, que está "repleto de mortos e de destruição".
"A situação continua muito grave, com bombardeios por toda parte, resultando em mortes e destruição. O perigo causa muito medo entre os civis, que constituem a maioria dos cidadãos. Estou falando de mais de 1 milhão de pessoas só na Cidade de Gaza", declarou Romanelli em um vídeo para a fundação italiana Isola Che Non C'È, a qual pede que o prêmio Nobel da Paz seja concedido às crianças palestinas do território em guerra.
"Em Gaza, falta tudo: comida, água, falta o que precisa para produzir energia, para limpar as ruas, para reconstruir, faltam remédios e faz um calor horrível, que, nos últimos dias, chegou a 50 graus", explicou o padre argentino da única igreja católica do enclave, revelando que parte da população está vivendo "em tendas".
"Quem está na Cidade de Gaza e mora em casas destruídas irá perdê-las, porque o plano [de Israel] de realocação de todos os cidadãos será concluído", afirmou Romanelli, acrescentando que sua paróquia "continua a tentar fazer o bem" aos 450 refugiados que abriga.
"Tentamos entender como podemos ajudar mais, o que não é apenas um desejo, mas também a ação que vem sendo realizada há meses pelo Patriarcado Latino de Jerusalém e pelo cardeal Pierbattista [Pizzaballa], para ajudar essas pessoas pobres que realmente carecem de tudo", concluiu.
Em julho, Romanelli ficou ferido em um ataque israelense contra a Igreja da Sagrada Família, que, além dele, feriu mais de 10 pessoas e matou três.