Presidente do Peru enfrenta escândalo por não ter revelado reuniões com empresário chinês
O presidente peruano, José Jerí, está enfrentando uma investigação preliminar da procuradoria, enquanto o Congresso se prepara para iniciar um processo de impeachment, depois que suas recentes reuniões com um empresário chinês, fora de sua agenda oficial, se transformaram em um novo escândalo político.
Jerí, que assumiu o poder em outubro após a destituição da ex-presidente Dina Boluarte, disse na noite de segunda-feira que se colocaria à disposição da procuradoria e do comitê de supervisão do Congresso para "fornecer declarações e esclarecimentos" sobre o assunto, de acordo com a assessoria de imprensa do presidente.
As reuniões de Jerí com o empresário Zhihua Yang, dono de lojas comerciais e de uma concessão para um projeto de energia, e o fato de ele não as ter divulgado publicamente como parte de sua agenda, provocaram críticas sobre a falta de transparência e a possível corrupção. No Peru, as reuniões do presidente são tradicionalmente incluídas na agenda oficial.
Jerí se reuniu com Zhihua Yang em 26 de dezembro e 6 de janeiro, de acordo com a mídia local.
Os parlamentares da oposição disseram que apresentarão uma moção de impeachment ou censura a Jerí, 39 anos, cuja popularidade continua alta, apesar de ter caído para 44% em janeiro, de acordo com a empresa de pesquisa local CPI.
UM ENCONTRO "AMIGÁVEL"
Jerí emitiu um pedido público de desculpas pelo encontro inicial, um jantar em um restaurante chinês em Lima, por meio de uma mensagem gravada no domingo. Ele disse que foi coordenar a comemoração de outro aniversário da amizade peruano-chinesa e negou ter recebido um "pedido irregular" para o encontro.
"Admito meu erro", disse ele. "E peço desculpas publicamente por ter entrado na reunião com o empresário da maneira que fiz, escondido, e por isso, dando origem a suspeitas e dúvidas sobre meu comportamento", disse Jerí.
Horas depois do pedido de desculpas de Jerí, uma segunda reunião com Zhihua Yang, cuja empresa foi suspensa pelas autoridades de Lima por vender produtos não autorizados, foi tornada pública.
Um advogado que representa Zhihua Yang disse à estação de rádio RPP na noite de segunda-feira que os encontros foram uma "reunião amigável na qual o presidente Jerí quebrou alguns protocolos".
Embora a censura a Jerí exija menos votos do que o impeachment (87 de 130), sua remoção é improvável, segundo especialistas políticos. Dois terços dos parlamentares peruanos estão buscando a reeleição e provavelmente optarão pela estabilidade antes das eleições gerais de abril, disseram analistas.
O Peru vem sofrendo com uma crise política contínua, com uma porta giratória de sete presidentes desde 2018 devido a renúncias ou destituições.