Presidente do Irã discursa na ONU e acusa EUA de 'terrorismo'
Pezeshkian exibiu fotos de crianças mortas em ataque americano a escola
Na Assembleia Geral da ONU, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, acusou os EUA de terrorismo após ataques mortais no país e respondeu às ameaças de Donald Trump, afirmando que Teerã não cederá a pressões. O líder iraniano defendeu o bloqueio no Estreito de Ormuz por motivos de segurança, criticou o duplo padrão internacional sobre o arsenal nuclear de Israel e reiterou o direito ao uso pacífico de energia atômica, declarando-se aberto ao diálogo diplomático, mas sem imposições de força.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, acusou os Estados Unidos de "terrorismo" e exibiu fotos de crianças mortas em um ataque americano contra uma escola em Minab em seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.
Pezeshkian ocupou a tribuna da ONU exatamente um dia depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter ameaçado "aniquilar" a República Islâmica caso não se chegue a um acordo para colocar um fim definitivo ao conflito no Oriente Médio.
"O Irã jamais foi agressor, nunca iniciou uma guerra e sempre demonstrou seu compromisso com a mesa de negociações. Impuseram-nos a guerra, mas provamos que não temos medo de lutar", disse o líder iraniano em seu discurso.
Segundo ele, Trump precisa saber que "a resistência do povo do Irã apenas aumentará diante das sanções e das crescentes pressão e intimidação". "Jamais abaixaremos a cabeça nem nos curvaremos", acrescentou.
Além disso, Pezeshkian disse que o país persa é vítima de "terrorismo" por parte dos EUA e citou o assassinato do guia supremo Ali Khamenei e o bombardeio contra uma escola infantil em Minab, massacre que custou as vidas de mais de 150 crianças.
O presidente também exibiu imagens dos menores de idade mortos no ataque.
Em protesto, a delegação americana abandonou o plenário da ONU. Trump vem tentando forçar Teerã a aceitar um acordo para encerrar a guerra e liberar completamente a navegação comercial no Estreito de Ormuz, cujo bloqueio pelas forças iranianas provocou a disparada dos preços de energia, com repercussões inflacionárias no mundo todo.
"Não podemos permitir que alguns tenham livre acesso [ao Estreito de Ormuz] e se aproveitem disso, usando-o para nos atacar, para minar nossa segurança e para nos impedir de acessar nossas próprias vias navegáveis", declarou Pezeshkian. Apesar disso, o presidente garantiu que o Irã está "pronto para o diálogo, a diplomacia e as negociações", porém "sem aceitar a linguagem da força". "Estendemos nossa mão ao mundo", afirmou.
O mandatário também reivindicou o direito iraniano de desenvolver energia nuclear para fins pacíficos e acusou Israel de possuir bombas atômicas. "As armas nucleares estão nas mãos de Israel, mas os inspetores pedem para ir ao Irã. Israel mata, mas o Irã é alvo de sanções. Não pedimos tratamento especial, mas sim paritário", destacou.
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