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Presidente do Irã acusa Trump de ter "mentalidade de intimidação" e promete não se render

23 set 2026 - 14h01
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Resumo
Na ONU, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian acusou Donald Trump de adotar uma postura de intimidação e garantiu que o Irã não cederá à força militar ou às sanções dos EUA, embora siga aberto ao diálogo diplomático. Ele denunciou a morte de civis em ataques norte-americanos e defendeu o uso pacífico da energia nuclear. Em meio a um conflito de sete meses que pressiona a economia iraniana, Teerã exige a livre navegação no Estreito de Ormuz como condição para a estabilidade regional.

O presidente iraniano, ‌Masoud Pezeshkian, acusou o presidente dos EUA, Donald Trump, de ter uma "mentalidade de intimidação", nesta quarta-feira, afirmando na ONU que o Irã não se renderá na guerra contra os EUA, mas continua aberto à diplomacia para pôr fim ao conflito.

Em um discurso em tempo de guerra perante a Assembleia Geral da ONU, composta por 193 membros, Pezeshkian disse que as ameaças ⁠apenas fortalecerão a determinação do Irã, rejeitando a advertência de Trump de que ele pode aniquilar ‌o Irã caso não seja alcançado um acordo.

"As declarações feitas ontem pelo presidente dos EUA... são um sinal de uma mentalidade de intimidação. ... O povo iraniano não se curvará à pressão. ... ‌Aqueles que são terroristas e treinam terroristas nos chamam de ‌terroristas", disse ele, referindo-se à descrição feita por Trump do Irã como o ⁠principal patrocinador do terrorismo no mundo.

Várias vezes durante seu discurso, Pezeshkian afirmou que o Irã está disposto a resolver as tensões com os Estados Unidos por meio de negociações, mas advertiu que Teerã não aceitaria a linguagem da força.

A delegação dos Estados Unidos saiu da sala no início do discurso de Pezeshkian. A missão dos EUA junto às Nações Unidas não respondeu ‌imediatamente a um pedido de comentário.

Pezeshkian iniciou seu discurso acusando os Estados Unidos de matar civis ‌durante a guerra, exibindo fotos ⁠que incluíam uma imagem ⁠de alunas em uma sala de aula.

Um ataque com mísseis a uma escola primária em Minab, em 28 ⁠de fevereiro - horas depois que os ataques dos ‌EUA e de Israel ao Irã ‌deram início ao conflito - matou mais de 175 crianças e professores, segundo autoridades iranianas.

O Pentágono não divulgou publicamente as conclusões de sua investigação sobre o ataque a Minab, o incidente com o maior número de vítimas civis envolvendo as Forças Armadas dos ⁠EUA em décadas. A Reuters informou em 5 de março que uma investigação interna inicial das Forças Armadas dos EUA concluiu que as forças norte-americanas provavelmente foram responsáveis pelo ataque.

Pezeshkian afirmou que o Irã não tem intenção de buscar bombas nucleares, mas não abrirá mão de seu direito a um programa nuclear pacífico.

"Nem armas ‌nucleares nem abrir mão do conhecimento nuclear", disse ele.

Após sete meses de um conflito que abalou os mercados e levou o Golfo à beira de uma guerra mais ampla, Washington ⁠está lançando uma ofensiva econômica sem precedentes, depois que a ação militar não conseguiu forçar Teerã a ceder.

Os líderes iranianos temem que o agravamento da situação econômica, marcado pela alta dos preços, pelo enfraquecimento do comércio e pela pressão sobre a renda das famílias, possa reacender a agitação em todo o país que tem desafiado repetidamente a República Islâmica.

O Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, tornou-se o foco das tensões entre o Irã e os EUA.

Teerã comunicou suas condições para reabrir a via navegável estratégica aos Estados Unidos por meio de mediadores, disseram fontes iranianas à Reuters.

"Não pode ser que todos se beneficiem do Estreito de Ormuz enquanto nos é negado o acesso à navegação por essa via navegável. A presença permanente de frotas hostis e a expansão da guerra não levarão à paz", disse Pezeshkian.

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