Premiê de Israel deve falar com o presidente libanês após décadas de ruptura do diálogo entre os dois países
O Líbano afirmou nesta quinta-feira (16) que "não tem conhecimento" de qualquer contato futuro com Israel. A declaração ocorre depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que os líderes libanês e israelense conversariam hoje. Em declaração à rádio militar, uma integrante do governo isralense afirmou que uma possível conversa entre o premiê e o presidente libanês pode acontecer em breve.
Em mensagem na rede Truth Social na noite de quarta-feira (15), o presidente americano não deu mais detalhes sobre as conversas nem revelou o nome dos dois dirigentes citados.
Nesta manhã Israel confirmou que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, "vai conversar" com o presidente libanês, Joseph Aoun. A ministra israelense da Inovação, Gila Gamliel, declarou à rádio militar que Netanyahu falará pela primeira vez com o presidente libanês após mais de 30 anos de ruptura total do diálogo entre os dois países. Ela não especificou quando e de que forma os dois irão conversar.
O anúncio de Trump ocorre após discussões diretas realizadas na terça-feira (14) entre representantes do Líbano e de Israel em Washington, as primeiras desde 1993. A embaixadora libanesa, Nada Hamadeh Moawad, afirmou ter pedido um cessar-fogo no Líbano durante a reunião — solicitação rejeitada por Israel até o momento.
Israel e o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, estão em guerra desde 2 de março. O grupo libanês pró-Irã reivindicou, na manhã desta quinta-feira, vários ataques com drones contra posições militares no norte de Israel.
O gabinete de segurança do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se reuniu na quarta-feira (15) para discutir um possível cessar-fogo no Líbano. O Financial Times, citando autoridades libanesas, informou em seguida que uma trégua poderia ser concluída "em breve".
O primeiro-ministro de Israel afirmou, no entanto, que "o desmantelamento do Hezbollah" é o principal objetivo das possíveis negociações entre Israel e Líbano. Enquanto não há avanços na via diplomática, o Exército israelense recebeu ordens para matar qualquer combatente do Hezbollah no sul do Líbano. Os militares voltaram a pedir que civis evacuassem toda a área do sul do Líbano até o rio Zahrani, cerca de 40 quilômetros ao norte.
Antes do anúncio de Trump, um alto funcionário americano havia indicado que o presidente dos EUA receberia com satisfação "o fim das hostilidades no Líbano" por meio de um acordo de paz com Israel. Ele esclareceu, contudo, que esse eventual acordo não fazia parte das negociações entre os Estados Unidos e o Irã, que buscavam um desfecho duradouro para o conflito no Oriente Médio.
"Os Estados Unidos querem ver uma paz duradoura estabelecida, mas não exigiram um cessar-fogo imediato" entre Israel e o Hezbollah, disse o alto funcionário à imprensa, sob condição de anonimato.
Até o momento, não houve contato entre os líderes dos dois países, afirmou o analista Michael Young, do Carnegie Middle East Center.
O Hezbollah assumiu nesta manhã a responsabilidade por vários ataques com drones contra posições militares no norte de Israel e em território libanês. A Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA) relatou confrontos em Bint Jbeil, cidade localizada a cerca de cinco quilômetros da fronteira, onde combatentes do Hezbollah enfrentam o Exército israelense.
O grupo paramilitar que levou o Líbano à guerra no início de março, após atacar Israel em retaliação à ofensiva israelense-americana contra Teerã, denunciou as negociações entre os dois países, classificando-as como "capitulação".
Histórico das tentativas de negociação
Em setembro de 1982, Bachir Gemayel, eleito presidente do Líbano após a invasão israelense, reuniu-se com líderes de Israel, mas foi assassinado antes de tomar posse.
Em 1992 e 1993, diplomatas dos dois países se encontraram em Washington, no contexto do processo de paz no Oriente Médio iniciado pela Conferência Internacional de Madri.
Desde o início de março, ataques israelenses ao Líbano mataram mais de 2.100 pessoas e deslocaram mais de um milhão.
Com AFP
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