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Polônia pede que Otan se prepare para 'ataques híbridos letais' da Rússia

Chanceler polonês defendeu resposta mais firme da aliança militar

13 out 2026 - 13h07
(atualizado às 13h24)
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Resumo
A Polônia alertou que a Otan precisa se preparar para responder a ataques híbridos letais da Rússia, que combinam sabotagem, ofensivas cibernéticas e violações do espaço aéreo. O chanceler Radoslaw Sikorski defendeu que a aliança defina limites claros para reações coletivas caso essas agressões causem mortes. Varsóvia também cobrou medidas diplomáticas mais rígidas da Europa contra Moscou, como a restrição a diplomatas e a redução de vistos para russos visando conter ações desestabilizadoras.

A Polônia alertou nesta terça-feira (13) que os países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) devem se preparar para responder de forma decisiva a um possível ataque "híbrido" letal por parte da Rússia.

Em entrevista ao jornal "Financial Times", o ministro polonês das Relações Exteriores, Radoslaw Sikorski, afirmou que a probabilidade de alguém ser morto está aumentando à medida que as operações de desestabilização russas se intensificam.

Segundo ele, a aliança militar precisa definir os limites que justificariam uma resposta mais contundente a ações que combinem diferentes formas de agressão, como ataques cibernéticos, sabotagens e violações do espaço aéreo.

"A questão é o que constitui um ataque - um ataque transfronteiriço - e, enquanto envolver apenas propriedades... é uma coisa, mas se pessoas começarem a morrer, então teremos de ter outra conversa muito séria na Otan", afirmou o chanceler.

O ministro reconheceu, contudo, que não existe uma definição previamente estabelecida e compartilhada sobre o momento em que as ações russas ultrapassariam o limite aceitável para a aliança.

Sikorski lembrou que a Polônia e a Estônia já recorreram ao Artigo 4 do tratado da Otan, que prevê consultas entre os aliados quando um país considera ameaçadas sua integridade territorial, independência política ou segurança.

Os pedidos ocorreram após violações do espaço aéreo envolvendo drones e aeronaves russas, segundo o relato.

O chanceler polonês indicou ainda que esses episódios podem exigir medidas adicionais, embora não tenha especificado qual resposta deveria ser adotada caso um ataque híbrido provocasse mortes.

O Artigo 5, por sua vez, estabelece o princípio de defesa coletiva da aliança: um ataque armado contra um membro pode ser considerado um atentado contra todos. A cláusula foi invocada apenas uma vez na história da organização, pelos Estados Unidos, após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 perpetrados pela Al-Qaeda.

A eventual aplicação do dispositivo dependeria da avaliação dos aliados sobre as circunstâncias e a natureza do incidente.

O governo polonês também defende medidas diplomáticas mais rigorosas contra Moscou. Sikorski pediu aos países europeus que considerem fechar consulados russos, restringir a circulação de diplomatas e reduzir o número de representantes diplomáticos da Rússia.

A Polônia já adotou medidas desse tipo e, segundo o ministro, dispõe de poucas instalações consulares russas que ainda possam ser fechadas.

Sikorski também defendeu a exigência de passaportes biométricos para cidadãos russos que entrem na União Europeia, com o objetivo declarado de dificultar viagens sob identidades falsas.

Além disso, apoiou a redução da emissão de vistos de turismo para russos. De acordo com os números citados no relato, quase 500 mil vistos desse tipo foram emitidos pela União Europeia no ano passado.

Os países da região estão preocupados com o aumento de ataques cibernéticos, violações do espaço aéreo e tentativas de sabotagem contra alvos europeus. Governos do leste europeu atribuem essas ações a uma campanha de Moscou para enfraquecer o apoio ocidental à Ucrânia.

A preocupação com a segurança regional também foi ressaltada durante o Fórum de Segurança de Varsóvia de 2026. O comissário europeu de Defesa, Andrius Kubilius, afirmou que a Polônia desempenha um papel central no fortalecimento da defesa europeia.

Para Kubilius, o país deverá ter uma função importante na implementação da chamada "Teoria da Vitória" apresentada pelo comandante supremo aliado na Europa da Otan, Alexus Grynkewich.

A estratégia, conforme descrita pelo comandante, prioriza impedir que um adversário alcance seus objetivos militares. Grynkewich afirmou que a aliança pretende repelir qualquer ataque e neutralizar seus resultados.

Ansa - Brasil
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