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Polícia portuguesa faz batida em hospital e ministério para investigar tratamento caro para gêmeos

6 jun 2024 - 15h39
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A polícia fez uma batida no Ministério da Saúde e no maior hospital de Portugal nesta quinta-feira, em uma investigação que apura se autoridades violaram as leis ao dar acesso preferencial a um tratamento médico de alto custo a bebês gêmeos cuja família havia procurado ajuda do presidente.

O gabinete do procurador-geral disse em um comunicado que está sendo a apurada a possível prática de crimes de prevaricação, abuso de poder e fraude qualificada. As buscas também abrangeram escritórios da previdência social, outras unidades de serviços de saúde e residências particulares.

Os funcionários suspeitos não foram identificados e nem foi discutida qualquer ligação com o presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

O caso de grande repercussão remonta a 2019-2020, quando gêmeos nascidos no Brasil, então com 15 meses de idade, foram tratados com Zolgensma -- um dos medicamentos mais caros do mundo -- no hospital Santa Maria, em Lisboa, custando ao Estado cerca de quatro milhões de euros (4,35 milhões de dólares).

O Zolgensma é usado para tratar a atrofia muscular espinhal de bebês e crianças com menos de dois anos de idade, doença hereditária rara e grave.

A mãe dos gêmeos disse mais tarde em uma entrevista que, após um médico mostrar relutância em fornecer o medicamento, ela usou seus "contatos" para acelerar o processo, e que um deles era a nora do presidente.

Rebelo de Sousa confirmou que seu filho o contatou sobre a necessidade de tratar as crianças, mas nega ter qualquer envolvimento no caso.

O tratamento dos gêmeos tornou-se um problema devido às despesas públicas e à preocupação sobre se outros pacientes, que haviam solicitado o mesmo tratamento, foram ignorados.

O Chega, partido populista e anti-imigração, criticou o presidente conservador e o Ministério da Saúde sobre o assunto e criou um comitê parlamentar para analisar o caso.

Um porta-voz do hospital disse que vai colaborar com as autoridades, e um porta-voz do Ministério da Saúde confirmou as buscas, mas se recusou a fornecer detalhes.

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