Polícia entra em confronto com manifestantes na cidade francesa de Lyon
A França enfrenta uma nova onda de protestos e greves gerais convocadas por sindicatos e estudantes contra o custo de vida e os serviços públicos. Em Lyon e Paris, a polícia entrou em confronto com manifestantes usando gás lacrimogêneo. A mobilização atinge centenas de cidades e desafia o governo de Emmanuel Macron a poucos meses da eleição presidencial. Com cerca de 70 mil policiais nas ruas, os atos afetaram a produção de energia, fecharam pontos turísticos e paralisaram escolas.
A polícia de choque francesa lançou gás lacrimogêneo e avançou contra um grupo de manifestantes na cidade francesa de Lyon nesta quinta-feira, enquanto protestos ocorriam em todo o país em um novo desafio ao presidente Emmanuel Macron, após semanas de agitação.
Alguns dos manifestantes foram vistos gritando slogans contra a polícia e outros estavam vestidos totalmente de preto, com o rosto coberto.
Os protestos em todo o país e uma greve dos funcionários públicos, convocada por sindicatos — incluindo a CGT, de esquerda — e apoiada por grupos estudantis, ocorrem após manifestações contra o custo de vida, os serviços públicos e a educação terem desencadeado a pior onda de agitação civil que a França vivenciou nos últimos anos.
A agitação ocorre a apenas cinco meses de uma eleição presidencial que poderia colocar a candidata de extrema-direita Marine Le Pen contra o rival de extrema-esquerda Jean-Luc Mélenchon em um segundo turno. Macron, que cumpre seu segundo mandato e é impopular, não pode se candidatar novamente.
Uma escola de ensino médio próxima à cidade de Toulouse, no sudoeste do país, foi incendiada na manhã desta quinta-feira, informou a BFM TV.
Estudantes do ensino médio franceses e outros manifestantes haviam enfrentado a polícia de choque em Paris, ao bloquearem uma rua com lixeiras na manhã de quinta-feira.
Enquanto as manifestações em Lyon e em outras cidades, incluindo Marselha e Nantes, começaram pela manhã, o principal protesto em Paris está programado para começar às 14h (10h de Brasília), na Place de la République.
A Torre Eiffel ficou fechada na quinta-feira devido à greve.
"Precisamos sair em grande número às ruas hoje", disse a presidente da CGT, Sophie Binet, à LCI TV, informando que protestos estavam previstos em 260 cidades por toda a França.
"Alunos do ensino médio, aposentados, estudantes, trabalhadores, todos juntos. A união vence", dizia uma faixa no protesto em Lyon.
POLÍCIA SE MOBILIZA EM GRANDE NÚMERO
As autoridades tentaram acalmar os ânimos depois que tumultos e saques, ocorridos em 17 de outubro, pegaram as forças de segurança de surpresa, causando danos a lojas e prédios públicos em todo o país e alimentando críticas à forma como Macron lidou com a crise.
As autoridades francesas mobilizarão cerca de 70 mil policiais em todo o país. O serviço de inteligência interno estima que entre 500 mil e 700 mil pessoas participem das manifestações nos arredores de Paris.
A greve já havia contribuído para uma redução na produção nuclear da França na manhã desta quinta-feira. No entanto, não foram relatados problemas graves na rede de transporte.
O Ministério da Educação informou que pouco mais de 15% do corpo docente francês aderiu à greve.
Os estudantes afirmam que as condições nas escolas e a crescente incerteza sobre seu futuro continuam sendo grandes preocupações.
"Estamos tentando continuar nos mobilizando o máximo possível. Algumas pessoas não estão fazendo isso porque têm medo. Muitas pessoas têm medo da violência policial", disse Irma de Banville, uma estudante de 19 anos em Paris.
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