Polícia da Itália faz batida em casas de suspeitos de violência em protestos
Operação mirou residências de cerca de 100 pessoas em 18 cidades
A polícia da Itália realizou buscas nas casas de 100 suspeitos, a maioria menores, após violentos tumultos contra o custo de vida em Milão que geraram prejuízos bilionários e deixaram 14 agentes feridos. A ação atingiu 18 cidades e revelou indícios de coordenação, além de um chat racista da extrema direita. Em resposta, o governo Meloni endureceu as leis, autorizando prisões preventivas de adolescentes, tipificando crimes em atos e mobilizando 500 militares para conter novos protestos.
A polícia da Itália realizou nesta sexta-feira (23) buscas nas casas de cerca de 100 pessoas suspeitas de participar dos violentos tumultos do último fim de semana em Milão, incluindo 51 menores de idade, enquanto o país se prepara para uma nova onda de protestos contra o custo de vida neste sábado (24).
A operação da divisão de operações especiais da Polícia de Estado (Digos) ocorreu em 18 cidades: Arezzo, Bari, Bérgamo, Bolonha, Bolzano, Como, Florença, Gênova, Lodi, Nápoles, Pescara, Pádua, Cremona, Verbania, Aosta, Monza, Varese e Verona.
Grupos de jovens que cercaram lojas e supermercados, quebraram vitrines e promoveram saques causaram prejuízos estimados em 1 bilhão de euros (R$ 5,65 bilhões) no fim de semana, segundo a associação varejista Confcommercio.
Os manifestantes também confrontaram a polícia, arremessando pedras, garrafas e sinalizadores, e deixaram 14 agentes feridos. Mais de 270 pessoas foram levadas para delegacias, das quais 80% eram menores de idade. O mais jovem identificado pelas forças de segurança tem 11 anos.
Os distúrbios ocorreram durante manifestações juvenis contra o aumento do custo de vida na Itália e para cobrar mais investimentos em educação, na esteira de atos semelhantes realizados na França.
"Começamos a levantar ? ou melhor, a rasgar ? os véus sobre esse fenômeno", afirmou o ministro do Interior, Matteo Piantedosi. Segundo ele, há indícios de que havia uma rede organizada por trás dos episódios de violência. "Certamente houve coordenação entre os envolvidos nesses atos de vandalismo", disse.
A operação marca a postura linha dura do governo de Giorgia Meloni para evitar novos tumultos. A premiê já determinou o envio de 500 militares do Exército para apoiar as forças de segurança de Milão, palco dos confrontos mais violentos, e aprovou um decreto de segurança que autoriza a prisão preventiva de adolescentes tidos como ameaças à ordem pública antes mesmo de manifestações.
Além disso, a medida tipifica o crime de participação violenta em protestos, com penas de até cinco anos de prisão. Já o ministro da Justiça, Carlo Nordio, afirmou que o governo pretende ampliar os centros de detenção juvenil, enquanto o vice-premiê e ministro dos Transportes, Matteo Salvini, defendeu o corte de benefícios sociais para pais de "vândalos".
Chat racista
As investigações sobre os tumultos de 17 e 18 de outubro também levaram a polícia a descobrir um chat online de extrema direita que convocava ataques contra estrangeiros e integrantes de gangues de rua conhecidas como "maranzas".
O grupo foi criado para reunir pessoas no centro da cidade de Crema, na Lombardia, para realizar "patrulhas" com o objetivo de "identificar e atacar" esses alvos.
O chat tinha uma imagem do ditador fascista Benito Mussolini e era administrado por um italiano de 20 anos com antecedentes por furto e ameaças. A conversa continha inúmeras mensagens que incitavam à violência, incluindo conteúdo racista e xenófobo.
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