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Passageiros relatam calma a bordo de navio foco de hantavírus; OMS descarta risco de pandemia

Dois cidadãos franceses confinados a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, onde passageiros e tripulantes permanecem isolados devido a um foco de hantavírus, enviaram uma declaração à rádio pública France Inter para, segundo eles, tranquilizar a população. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também divulgou nesta quinta-feira (7) uma mensagem de calma, afirmando que as infecções devem permanecer limitadas, que não há risco de pandemia e que o vírus é menos contagioso que a Covid‑19.

7 mai 2026 - 16h15
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"Não há pânico a bordo", garantiram Julia e Roland, aposentados de 62 e 67 anos. "Falar em epidemia é errado; insinuar uma pandemia é desonesto", afirmam os ex‑jornalistas freelancers especializados em natureza e meio ambiente. "Nunca houve uma epidemia, mas sim um foco, um surto localizado", insistem. "Se houvesse uma epidemia, não teríamos apenas alguns casos, mas dezenas, aqui ou nos portos de escala. Estamos no mesmo barco desde 1º de abril e convivemos com a doença (sem saber) durante todo esse tempo, sem qualquer crescimento exponencial."

Os dois passageiros relatam que têm liberdade de circulação dentro do navio. Eles dizem ter ficado mais tranquilos após o desembarque dos três casos suspeitos nesta semana. "Um grande peso psicológico foi tirado de nós; eles eram nossa principal preocupação", afirmaram. Nos últimos dias, quatro médicos embarcaram para "avaliar a situação e preparar o desembarque". Eles afirmam, porém, não saber o que acontecerá depois, mas que a unidade de crise do Ministério das Relações Exteriores da França mantém contato constante.

"Está tudo bem conosco, assim como com os outros três passageiros franceses e, na verdade, com todos os turistas e a tripulação", escreveram. Segundo eles, a rotina a bordo mudou, mas não há confinamento rígido. "Somos aconselhados a permanecer nas cabines sempre que possível, evitar grandes aglomerações e circular principalmente nos decks externos, onde podemos tirar as máscaras."

Eles destacam que a tripulação filipina, assim como o médico e o guia do navio - que estão doentes - , tem se dedicado integralmente ao bem‑estar dos passageiros.

Na declaração, Julia e Roland também ressaltam o propósito da viagem, que, segundo eles, "não é um cruzeiro de luxo, nem um cruzeiro de lazer típico". De acordo com eles, no MV Hondius não há piscina, sauna ou academia, apenas "uma pequena sala de conferências", atualmente fechada.

"Todos os passageiros são amantes da natureza, com objetivos diversos, mas distantes das atividades de lazer associadas a cruzeiros tradicionais", escrevem. Entre eles, segundo o casal, há muitos ornitólogos, entusiastas de história e geografia, viajantes interessados em regiões remotas, botânicos, especialistas em cetáceos e astrônomos. A média de idade é elevada, mas, segundo eles, todos estão em boa saúde.

O MV Hondius, sob alerta sanitário internacional desde o fim de semana, deve chegar a Tenerife, nas Ilhas Canárias, neste domingo. O desembarque dos cerca de 150 passageiros e tripulantes está previsto para o início da próxima semana.

Profissionais de saúde acompanham um paciente evacuado do navio de cruzeiro MV Hondius, suspeito de infecção por hantavírus, até uma ambulância após ser levado de avião para o Aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, Holanda, na quarta-feira, 6 de maio de 2026.
Profissionais de saúde acompanham um paciente evacuado do navio de cruzeiro MV Hondius, suspeito de infecção por hantavírus, até uma ambulância após ser levado de avião para o Aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, Holanda, na quarta-feira, 6 de maio de 2026.
Foto: RFI

Surto deve permanecer limitado

A OMS afirmou nesta quinta-feira que novos casos de hantavírus são "possíveis", mas que o surto que matou três passageiros do MV Hondius deve permanecer "limitado" se as medidas de saúde pública forem aplicadas.

"Até o momento, oito casos foram relatados, incluindo três mortes. Cinco foram confirmados como hantavírus, enquanto os outros três são considerados suspeitos", disse o diretor‑geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Considerando o período de incubação da cepa andina - que pode chegar a seis semanas -, "é possível que mais casos sejam registrados", acrescentou. Um segundo passageiro testou positivo, de acordo com o hospital holandês onde ele foi internado no fim da tarde desta quinta‑feira.

"Este não é o início de uma epidemia. Este não é o início de uma pandemia", afirmou Maria Van Kerkhove, chefe do Departamento de Prevenção e Preparação para Epidemias e Pandemias da OMS, na primeira coletiva de imprensa da organização desde o início da crise.

Os três passageiros que morreram desde o início do cruzeiro - que partiu de Ushuaia, na Argentina, rumo a Cabo Verde - eram um casal holandês que viajava pela América do Sul havia vários meses e uma mulher alemã. Cerca de vinte nacionalidades estavam a bordo, e autoridades sanitárias trabalham para rastrear os movimentos dos passageiros que desembarcaram nos últimos dias, a fim de identificar possíveis casos ou contatos próximos.

Viajantes estão atualmente hospitalizados ou sob observação na Holanda, Suíça, Alemanha e África do Sul.

Em Singapura, duas pessoas na faixa dos 60 anos que estavam no navio e viajaram com o passageiro holandês que morreu foram colocadas em isolamento enquanto aguardam resultados. Uma delas apresentou coriza. Um dinamarquês retornou ao país assintomático e entrou em autoisolamento. O mesmo foi recomendado a duas pessoas no Reino Unido.

A origem do surto ainda é desconhecida, mas, segundo a OMS, a primeira infecção ocorreu antes do início da expedição, em 1º de abril, já que o primeiro passageiro a morrer - um holandês de 70 anos - apresentou sintomas em 6 de abril. O período de incubação varia de uma a seis semanas.

A infecção por hantavírus pode causar síndrome respiratória aguda. Não existe vacina ou tratamento específico, e a transmissão ocorre pelo contato com roedores. A cepa andina, identificada nos passageiros infectados, é a única conhecida por permitir transmissão entre pessoas. O hantavírus é endêmico em algumas regiões da Argentina, especialmente nos Andes, com pelo menos sessenta casos anuais nos últimos anos.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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