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Passageiros começam a ser retirados do navio de cruzeiro atingido pelo hantavírus

10 mai 2026 - 12h47
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Grupos de passageiros e tripulantes desembarcaram ‌neste domingo de um navio de cruzeiro atingido por um surto de hantavírus para serem encaminhados para seus respectivos países em um processo supervisionado por autoridades de saúde globais e que deve durar até segunda-feira.

Os passageiros, nenhum dos quais apresentava sintomas do vírus, foram levados ao aeroporto de Tenerife em ônibus militares para serem retirados da ilha em aviões dos governos de seus respectivos países, informaram autoridades governamentais, ⁠enfatizando que eles não terão contato com o público.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou uma quarentena de ‌42 dias para todos os passageiros do barco a partir de domingo.

Os aviões para os cidadãos espanhóis e franceses haviam partido até as 8h30 (horário de Brasília). Canadá, Holanda, Reino Unido, Turquia, Irlanda e Estados ‌Unidos foram listados pela ministra da saúde da Espanha, Mónica ‌García, como os próximos países a retirar seus cidadãos, sendo que o avião holandês também deve ⁠levar alemães, belgas e gregos.

Um avião da Austrália, que transportaria seus cidadãos, bem como passageiros da Nova Zelândia e de outros países asiáticos não especificados, deveria aterrissar na segunda-feira e partir à tarde, disse García.

O hantavírus, que geralmente é transmitido por roedores, mas que, em casos raros, pode ser transmitido de pessoa para pessoa, foi detectado pela primeira vez em 2 de maio, 21 dias após a morte do ‌primeiro passageiro, por autoridades de saúde sul-africanas que testaram um homem britânico que estava em tratamento intensivo. Dois ‌outros ex-passageiros morreram desde então.

O luxuoso ⁠navio de cruzeiro partiu ⁠da costa de Cabo Verde para a Espanha na quarta-feira, depois que a OMS e a União Europeia pediram ⁠ao país que administrasse a retirada dos passageiros após a ‌detecção do surto de hantavírus.

A agência ‌disse que o primeiro caso pode ter sido infectado antes do embarque, possivelmente durante uma viagem à Argentina e ao Chile, sendo que a disseminação posterior provavelmente ocorreu no navio.

NÃO FORAM DETECTADOS ROEDORES NO NAVIO

A OMS disse em uma atualização na sexta-feira que oito pessoas que não ⁠estavam mais no navio ficaram doentes, incluindo as três que morreram -- um casal holandês e um cidadão alemão. Das oito, seis foram confirmadas como tendo contraído o vírus.

O chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que está em Tenerife para supervisionar a retirada, disse no domingo que os especialistas da OMS estavam trabalhando com as autoridades de saúde espanholas para testar ‌os passageiros.

Uma mulher espanhola, que era suspeita de ter o vírus depois de compartilhar um voo com um dos pacientes que morreu mais tarde, testou negativo no sábado.

Quatro pacientes permanecem hospitalizados na África do ⁠Sul, Holanda e Suíça, enquanto um caso suspeito enviado à Alemanha deu negativo.

Todos os passageiros do MV Hondius são considerados contatos de alto risco como medida de precaução, disse a agência de saúde pública da Europa no sábado como parte de seu rápido aconselhamento científico, acrescentando que o risco para a população em geral permanece baixo.

O Ministério da Saúde da Espanha disse em um relatório que o navio passou nos controles de saúde apropriados: "Há mais de 500 navios de cruzeiro por ano que vêm da Argentina e do Chile, que é o lar do vírus, e ainda assim um surto dessa doença nunca aconteceu em território europeu, de modo que a possibilidade de isso acontecer em relação a esse navio é remota."

Também foi dito que não foram detectados roedores a bordo do navio.

Os passageiros não deixarão o navio até que o avião de retirada alocado chegue, disseram as autoridades espanholas.

Trinta tripulantes permanecerão a bordo e navegarão até a Holanda, onde o navio será desinfetado.

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