Após libertação por Israel, Thiago Ávila é deportado ao Egito e Saif Abu Keshek à Grécia
Israel anunciou neste domingo (10) ter libertado e deportado o ativista brasileiro Thiago Ávila e o palestino-espanhol Saif Abu Keshek. Em comunicado, o ministério israelense das Relações Exteriores classificou os integrantes da flotilha Global Sumud de "provocadores profissionais".
O ministério não mencionou as acusações de "pertencimento a uma organização terrorista", que levaram os dois militantes a passar mais de uma semana na prisão. A nota também não indicou para quais países Ávila e Abu Keshek haviam sido enviados. Israel não "permitirá nenhuma violação" do bloqueio marítimo de Gaza, reiterou a mensagem.
No perfil do ativista brasileiro no Instagram, stories indicam que a embaixada do Brasil no Cairo, no Egito, irá acolhê-lo. De acordo com a imprensa brasileira, Ávila já está na capital egípcia a previsão é que ele retorne ao Brasil na segunda-feira (11).
Já Abu Keshek publicou um vídeo nas redes sociais afirmando ter desembarcado em Atenas. Na gravação, o palestino-espanhol agradece a todos os que se mobilizaram para a sua libertação e convoca seus seguidores para a continuação da mobilização em prol da Faixa de Gaza e dos prisioneiros palestinos mantidos em prisões israelenses.
"Deixei para trás milhares de palestinos, crianças, mulheres e homens", afirma no vídeo. "Tenho certeza de que o tratamento que recebi não é comparável ao sofrimento que eles enfrentam, [diante] dos testemunhos que ouvimos de torturas e das violações de seus direitos todos os dias", reitera.
Detenção ilegal
Ávila e Abu Keshek estavam entre as dezenas de ativistas a bordo da flotilha interceptada pelo Exército israelense em 30 de abril em águas internacionais, diante da costa da Grécia. Ambos foram detidos pelas forças israelenses e levados para Israel para serem interrogados, enquanto o restante foi levado para a ilha grega de Creta e libertado.
O movimento, também conhecido como "Flotilha para Gaza", que inicialmente era formado por cerca de cinquenta embarcações, havia partido da França, Espanha e Itália com o objetivo de romper o bloqueio israelense à Faixa de Gaza e entregar ajuda humanitária ao território palestino devastado pela guerra.
A detenção a centenas de quilômetros da costa israelense foi declarada "ilegal" e "fora de toda jurisdição" pelos governos brasileiro e espanhol. A ONU exigiu sua "libertação imediata".
"Desde seu sequestro em águas internacionais até sua detenção ilegal em completo isolamento e os maus-tratos aos quais foram submetidos, as ações das autoridades israelenses foram um ataque punitivo contra uma missão puramente civil", declarou a ONG israelense Adalah, que representou legalmente os dois ativistas. "O uso da detenção e do interrogatório contra ativistas e defensores dos direitos humanos é uma tentativa inaceitável de suprimir a solidariedade global com os palestinos em Gaza", acrescentou.
Durante a prisão de Ávila e Abu Keshek, na cidade costeira de Ascalão, no sul de Israel, a Adalah denunciou "maus-tratos" e "abusos psicológicos", assim como interrogatórios de oito horas, iluminação intensa na cela durante 24 horas todos os dias, isolamento total e deslocamentos sistemáticos com os olhos vendados, inclusive durante visitas médicas. As autoridades israelenses rejeitaram as acusações.
RFI com informações da AFP
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