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Acusados de tortura, membros do regime sírio são julgados em Damasco; Assad segue refugiado na Rússia

Neste domingo (10), teve início em Damasco a segunda sessão do julgamento de ex-membros do regime de Bashar al-Assad. Trata-se de um processo histórico dos autores dos numerosos crimes da ditadura. O único acusado presente no banco dos réus é Atef Najib, primo de Assad, considerado um dos homens que desencadearam a revolução síria após a tortura de adolescentes em 2011. Exilados na Rússia, o ex-ditador e seu irmão Maher serão julgados à revelia.

10 mai 2026 - 12h24
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Manon Chapelain, correspondente da RFI em Damasco, com agências

Imagem de arquivo do Palácio de Justiça de Damasco no dia da primeira audiência do processo dos membros do regime de Assad, em 26 de abril de 2026.
Imagem de arquivo do Palácio de Justiça de Damasco no dia da primeira audiência do processo dos membros do regime de Assad, em 26 de abril de 2026.
Foto: AFP - BAKR ALKASEM / RFI

É de uma imensa cova da qual estão sendo retirados, metodicamente, restos mortais. A escavação começou há uma semana, quase 13 anos depois de cerca de 40 civis terem sido executados ali. Naquele dia, 27 membros da família de Abu Ahmad desapareceram. Ele agora espera que a justiça seja feita. "Quando a gente voltou para casa, a sala estava cheia de sangue. Não tinha mais ninguém", lembrou em entrevista à RFI.

Por toda parte, Tadamon, na periferia de Damasco, carrega as marcas da repressão do regime de Assad: valas comuns, famílias de pessoas torturadas até a morte, dezenas de prédios destroçados.

Para Moussa, esse julgamento representa uma etapa essencial rumo à justiça de transição. "Não houve um único massacre, houve vários! O que eles merecem, esses criminosos? Estamos esperando respostas", desabafou.

No banco dos réus está o oficial Atef Najib, ex-responsável pela segurança de Deraa. Símbolo da repressão, esse primo do ditador deposto, preso em janeiro de 2025, é acusado de ter conduzido ali uma vasta campanha de repressão e prisões. "O que ele fez em Deraa... Nem um animal faria isso com crianças", denuncia Mustafa, que vem desta cidade, berço da revolução de 2011.

Processado, entre outras coisas, por ter mandado torturar adolescentes, Atef Najib corre o risco de ser condenado à pena de morte. "Ele e o regime obrigavam a gente a pensar que Bashar al-Assad era nosso deus todo esse tempo. Que eles nos digam onde é que está hoje Bashar al-Assad?", prossegue Mustafa. O ex-ditador, que faz parte dos acusados, é julgado à revelia por estar em exílio na Rússia.

Uma primeira audiência do julgamento de Assad e de figuras centrais de seu círculo próximo já havia ocorrido em 26 de abril. Os acusados devem responder, em particular, por violações cometidas durante a guerra civil desencadeada em março de 2011 pela repressão de manifestações pró-democracia.

Cinco décadas de domínio

A queda e a fuga para Moscou de Bashar al-Assad puseram fim a mais de cinco décadas de domínio absoluto de seu clã sobre o país. A guerra, que devastou a Síria por 13 anos, deixou mais de meio milhão de mortos. As forças locais bombardearam zonas controladas pelos rebeldes, enquanto dezenas de milhares de pessoas desapareceram, sobretudo nas prisões.

Após sua chegada ao poder, as novas autoridades islamistas procederam a várias prisões de antigos dirigentes e prometeram justiça pelos crimes do poder anterior.

O presidente sírio Ahmed al-Chareh ressaltou, na rede social X, durante a primeira audiência, que a justiça continuaria sendo "o objetivo maior que o Estado e suas instituições se esforçam para alcançar".

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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