Pashinyan vence eleição na Armênia, observadores alegam interferência russa
O partido governista Contrato Civil, da Armênia, venceu uma eleição vista como um teste de sua gestão de um acordo de paz com o Azerbaijão e sua crescente aproximação com o Ocidente, apesar do que os observadores eleitorais internacionais chamaram de interferência flagrante e pressão da Rússia.
O partido do primeiro-ministro Nikol Pashinyan obteve 49,8% dos votos com todas as seções eleitorais contadas na votação de domingo, o suficiente para garantir uma maioria parlamentar de acordo com o sistema eleitoral da Armênia, informou a Comissão Eleitoral Central (CEC) na segunda-feira.
Os resultados, baseados em um forte comparecimento de quase 59%, também mostraram uma contagem melhor do que a esperada para os dois principais grupos de oposição pró-russos, que obtiveram um total de 31% dos votos e vão entrar no Parlamento.
Monitores eleitorais internacionais disseram que o período que antecedeu a votação foi marcado por esforços da Rússia, tradicional patrocinadora, para influenciar o resultado.
"A Rússia exerceu uma pressão sem precedentes, usando ameaças públicas e medidas comerciais, tentando alterar substancialmente os resultados da eleição", afirmou Edita Estrella, da missão de observação da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa.
"Como membros do Parlamento Europeu, condenamos veementemente essa interferência flagrante nos assuntos internos de um Estado soberano."
A Rússia acusou o Ocidente de interferir na votação e juntou-se à oposição da Armênia alegando violações eleitorais.
"Há claramente uma ampla demanda na sociedade armênia para o desenvolvimento constante dos laços russo-armênios", disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.
A votação de domingo foi a primeira eleição parlamentar da Armênia desde a guerra de 2023, na qual o Azerbaijão retomou Nagorno-Karabakh, um território separatista que tinha uma população de etnia armênia.
A vitória de Pashinyan impulsionará seus esforços para diversificar os aliados e parceiros comerciais da Armênia, afastando-os da Rússia e aproximando-os dos países ocidentais. A chave para esse esforço é garantir um acordo de paz com o Azerbaijão e normalizar as relações com a Turquia, aliada do Azerbaijão.
Pashinyan saudou a "vitória histórica" e prometeu continuar a construir laços com o Ocidente e com a Rússia, enquanto alguns grupos de oposição reclamaram.
"O povo armênio votou pela prosperidade e cooperação regional e espero que isso atraia uma resposta positiva da Turquia e do Azerbaijão", disse ele.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, parabenizou Pashinyan e disse que a Armênia poderia contar com o apoio europeu, afirmando no X: "Valorizamos profundamente nossa parceria com uma Armênia democrática que está se aproximando cada vez mais da Europa".
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