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Paquistão e Irã exploram caminho para nova negociação com EUA em iniciativa chinesa, dizem fontes

24 jul 2026 - 16h01
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O Paquistão está explorando um caminho para ‌a retomada das negociações paralisadas entre EUA e Irã sobre o fim da guerra, afirmaram três fontes paquistanesas, na sequência de uma iniciativa lançada pela China.

Discussões exploratórias ocorreram durante uma visita do ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, a Islamabad nesta semana -- sua segunda visita nos últimos dez dias, segundo as fontes.

Momeni, considerado próximo à Guarda Revolucionária do Irã, se reuniu nesta semana com líderes do governo paquistanês e com o chefe do Exército, ⁠Asim Munir, de acordo com comunicados do governo paquistanês.

Todas as três fontes alertaram que os obstáculos a quaisquer negociações com ‌os EUA continuam sendo grandes.

FECHAMENTO DO ESTREITO DE ORMUZ AFETA A CHINA

O Paquistão se vê em uma situação cada vez mais complicada como potencial mediador no futuro. No início desta semana, o movimento houthi do Iêmen, apoiado ‌pelo Irã, declarou um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, um aliado ‌próximo de Islamabad que assinou um tratado de defesa mútua com o Paquistão no ano passado.

O Paquistão ⁠depende do apoio financeiro saudita, e Islamabad condenou veementemente os recentes ataques houthis à Arábia Saudita. Ser visto como excessivamente receptivo aos argumentos iranianos poderia frustrar Riade.

Mas Islamabad depende igualmente de Pequim, que também tem sido um importante financiador do Paquistão e tem interesse em encontrar uma solução diplomática para a reabertura de importantes rotas comerciais no Oriente Médio.

O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, discutiu a nova iniciativa para o Oriente Médio com ‌autoridades chinesas durante sua visita à China, na semana passada, segundo as três fontes paquistanesas. Elas falaram sob condição de ‌anonimato, pois não estavam autorizadas a ⁠discutir o assunto publicamente.

"Os chineses ⁠estão insatisfeitos porque os ataques do Irã a outros países do Golfo e o fechamento do Estreito de Ormuz estão prejudicando seus ⁠interesses", disse uma autoridade do governo paquistanês. Interrupções no Mar ‌Vermelho afetariam outra rota comercial fundamental da ‌qual Pequim depende.

Ishaq Dar e o departamento de relações públicas das Forças Armadas do Paquistão não responderam aos pedidos de comentário.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que "a China apoia os esforços de mediação realizados pelo Paquistão e por outras partes".

Acrescentou que a China continuará a "desempenhar um papel ativo na ⁠restauração da paz e da tranquilidade na região do Golfo do Oriente Médio o mais rápido possível".

É NECESSÁRIO SUSPENDER ATAQUES, DIZ AUTORIDADE

Pequim é o maior parceiro comercial do Irã e o principal comprador de seu petróleo bruto exportado, apesar das sanções internacionais contra Teerã, beneficiando-se de um grande desconto nessa fonte de energia.

Ao longo dos anos, a China também aumentou o apoio à segurança do Irã ‌por meio de componentes de dupla utilização, equipamentos de chips e sistemas de navegação por satélite, embora não tenha fornecido abertamente ajuda militar ao país desde o início da guerra.

Pequim tem apoiado consistentemente os esforços de mediação ⁠do Paquistão e, em março, mandou seu enviado especial para liderar uma viagem de diplomacia itinerante pelo Oriente Médio.

Os EUA e o Irã assinaram um memorando de entendimento em junho para avançar rumo ao fim da guerra, após mediação do Paquistão e do Catar. O objetivo era proporcionar um prazo de 60 dias para negociações sobre um acordo permanente.

Mas as negociações indiretas não renderam nenhum avanço. Ambos os lados se culparam mutuamente por violações, e o conflito foi retomado.

Os houthis afirmaram na quinta-feira que atacaram dois petroleiros sauditas como parte de seu bloqueio naval, ameaçando criar um segundo ponto de estrangulamento para o abastecimento global de petróleo, além do quase fechamento do Estreito de Ormuz.

A escalada aumentou tanto os riscos quanto os obstáculos para os mais recentes esforços diplomáticos do Paquistão.

A suspensão dos ataques à Arábia Saudita e a outros países do Golfo seria agora um "pré-requisito para a retomada de quaisquer negociações", afirmou uma autoridade paquistanesa.

Essa é uma mensagem que o Paquistão transmitiu ao Irã, acrescentou a autoridade.

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