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Papa visita universidade no Uruguai e pede 'uso sábio da IA'

'Pessoa deve ser colocada antes do algoritmo', disse o pontífice

7 nov 2026 - 21h22
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Resumo
Em visita à Universidade Católica do Uruguai, o papa Leão XIV alertou para os riscos da desumanização e defendeu o uso ético da inteligência artificial, enfatizando que a pessoa humana deve prevalecer sobre os algoritmos. O pontífice pediu que as instituições de ensino valorizem a dignidade da vida e mantenham diálogo com a sociedade. O encontro ocorreu no segundo dia de sua viagem pelo país, que antecede compromissos oficiais na Argentina e no Peru, completando seu giro pela América do Sul.

O papa Leão XIV participou neste sábado (7) de um encontro com o mundo da educação na Universidade Católica do Uruguai, em Montevidéu, e alertou para os riscos da inteligência artificial.

Diante de um público formado majoritariamente por estudantes e professores, o pontífice afirmou que o "processo de desumanização" enfrentado por sociedades mundo afora "constitui um desafio para as nossas instituições escolares e universitárias".

"O paradoxo tornou-se cada vez mais evidente: enquanto a 'inteligência' é atribuída aos sistemas computacionais, temos dificuldade em reconhecer a dignidade inalienável da pessoa humana, cuja vida é avaliada com base no critério da eficiência e, quando considerada já não produtiva, é rejeitada e descartada", disse o Papa, citando um discurso proferido na sede da Unesco, em Paris, em setembro passado.

"É urgente que a nossa educação escolar e universitária contribua para o uso sábio das tecnologias e da IA, colocando a pessoa antes do algoritmo e harmonizando as inteligências técnica, emotiva, social, espiritual e ecológica", acrescentou.

Leão XIV também destacou que as gerações mudam em ritmo cada vez mais acelerado e que acompanhar as transformações sem abandonar a tradição é um desafio central para educadores. Além disso, defendeu que a educação católica não permaneça "confinada a um circuito fechado" e que "habitue-se a escutar famílias, a sociedade civil, autoridades políticas e representantes dos setores produtivos e das categorias profissionais".

"É indispensável que defendamos o bom odor da pessoa humana, fundamentando-nos no bom odor do Messias. Precisamos proclamar novamente que a vida humana é respeitada em todas as suas fases e estados. Ninguém pode ser rejeitado", salientou.

Esse é o segundo dia da viagem apostólica do Papa ao Uruguai, país menos religioso da América do Sul e que não recebia um pontífice desde 1988. No domingo (8), Robert Prevost terá compromissos em Florida na parte da manhã e, de tarde, partirá para Buenos Aires, na Argentina, que não tem uma visita de um líder católico desde 1987.

Já a terceira e última etapa da missão de Leão XIV será no Peru, onde foi bispo e missionário por mais de duas décadas, a partir de 11 de novembro.

Ansa - Brasil
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