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Papa rebate Trump após ser chamado de 'fraco': 'Não tenho medo'

'Continuarei a me manifestar em voz alta contra a guerra', garantiu Leão XIV

13 abr 2026 - 07h28
(atualizado às 07h41)
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O papa Leão XIV rebateu nesta segunda-feira (13) o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após ter sido chamado de "fraco" e acusado de atuar como "político".

"Eu não tenho medo do governo Trump. Falo sobre o Evangelho e continuarei a me manifestar em voz alta contra a guerra", disse o pontífice a jornalistas durante o voo que o levou à Argélia, primeira etapa de uma viagem de 10 dias na África.

"Não tenho intenção de entrar em um debate com ele", declarou Leão XIV, acrescentando que é preciso "construir a paz" e "acabar com as guerras". "Muita gente está sofrendo, muita gente inocente foi morta, e eu acho que alguém precisa se levantar e dizer que existe um jeito melhor", salientou.

Sem citar nomes, o Papa ainda afirmou que "muitas pessoas estão abusando do Evangelho", em uma possível referência à retórica às vezes religiosa usada pelo governo americano para justificar a guerra no Irã.

Primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, Robert Prevost foi criticado por Trump em uma longa mensagem publicada na plataforma Truth Social, em um ataque sem precedentes que marca um rompimento inédito entre a Casa Branca e a Santa Sé.

"O papa Leão é fraco no combate ao crime e péssimo em política externa. Ele fala sobre o 'medo' do governo Trump, mas não menciona o medo que a Igreja Católica e todas as outras organizações cristãs sentiram durante a Covid, quando prenderam padres, pastores e todos os outros por realizarem serviços religiosos", escreveu o presidente na rede social.

Após elogiar o irmão do pontífice, Louis, por ser "totalmente Maga", nome dado aos apoiadores de Trump, o magnata disse que não quer um "Papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela, um país que enviava quantidades enormes de drogas para os EUA".

"E eu não quero um Papa que critique o presidente dos Estados Unidos, porque estou fazendo exatamente aquilo que fui eleito para fazer, com uma vitória esmagadora, estabelecendo recordes de baixa criminalidade e criando o melhor mercado de ações da história", afirmou.

Na sequência, Trump ainda reivindicou para si o fato de Prevost ter sido eleito como sucessor de Francisco no conclave de maio de 2025. "Leão deveria ser grato porque, como todos sabem, sua nomeação foi uma surpresa chocante. Ele não estava em nenhuma lista para ser Papa e só foi colocado lá pela Igreja por ser americano, e eles acharam que essa seria a melhor maneira de lidar com o presidente Donald Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano", acrescentou o mandatário.

O presidente concluiu o ataque acusando Leão XIV de ser "leniente com as armas nucleares" atribuídas ao Irã e pedindo para o pontífice "usar o bom senso, parar de ceder à esquerda radical e se concentrar em ser um grande Papa, não um político".

Alguns instantes depois, Trump ainda publicou uma montagem que o retrata com uma túnica branca e vermelha e abençoando um homem doente, com uma luz divina emanando de suas mãos, como se fosse uma espécie de Jesus Cristo.

O ataque direto a Leão XIV provocou reações na Igreja Católica, a começar pelo presidente da Conferência Episcopal dos EUA, Paul Coakley. "Lamento profundamente que o presidente tenha escolhido escrever palavras tão depreciativas sobre o Santo Padre. O papa Leão XIV não é seu rival; tampouco é um político. Ele é o Vigário de Cristo que fala a partir da verdade do Evangelho e em prol do cuidado das almas", disse.

Já a Conferência Episcopal Italiana (CEI) lamentou as palavras de Trump e expressou "solidariedade e afeto" a Prevost. "O Papa não é um adversário político, mas o sucessor de Pedro, chamado a servir ao Evangelho, à verdade e à paz. Em tempos marcados por conflitos e tensões internacionais, sua voz representa um apelo à dignidade humana, ao diálogo e à responsabilidade", declarou a entidade.

Ansa - Brasil
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