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Papa Leão XIV recorda em novo livro que paz é 'desarmante'

Pontífice cita Bob Dylan em obra que reúne declarações suas sobre tema

21 jul 2026 - 09h07
(atualizado às 10h01)
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O papa Leão XIV pontua que "não são as armas atômicas que geram a paz, mas o desarmamento". A declaração está na introdução do livro "Disarmata e disarmante: La pace è un dono" ("Desarmada e Desarmante: A Paz é um Dom"), a ser lançado pela editora do Vaticano, que traz uma coletânea de declarações do pontífice sobre a paz desde a sua eleição, em maio passado.

Editora do Vaticano anuncia lançamento de livro com declarações de Leão XIV sobre a paz
Editora do Vaticano anuncia lançamento de livro com declarações de Leão XIV sobre a paz
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A obra, organizada por Alessandro Banfi, teve trechos antecipados nesta terça-feira (21) pelo Vatican News.

"Essa verdade - que parecia bem estabelecida nas últimas décadas, um período em que testemunhamos a desescalada nuclear - foi obscurecida por uma corrida armamentista que agora é assustadora e aterrorizante", observa Robert Prevost, que cita seu conterrâneo, o músico americano Bob Dylan, sobre o tema.

"Abordando a bomba atômica de forma figurada em um poema, ele [Dylan] escreveu: 'Eu te odeio porque o homem te criou, e o homem te possui, e o homem te manipula' (Go Away You Bomb, 1963)".

Leão XIV também questiona o atual contexto da humanidade, que vive sob a "combinação de domínio cibernético e rearmamento global".

"Hoje, a Igreja coloca humildemente uma questão diante de todos: deve a espécie humana continuar a habitar a Terra? A combinação de domínio cibernético e rearmamento global nos obriga a levar essa questão a sério. A paz busca testemunhas", afirma o Papa, mencionando exemplos que "promoveram a paz ao superar a tentação da corrupção, ajudar os pobres e promover a diplomacia": o beato congolês Floribert Bwana Chui, o ativista católico e político italiano Giorgio La Pira e a jornalista americana Dorothy Day.

"Ao lado de figuras célebres, a paz é personificada por 'heróis anônimos' que seguiram a própria consciência", prossegue Prevost.

O líder da Igreja Católica lembra ainda que a "história registrou momentos em que o mundo esteve à beira de uma catástrofe nuclear", trazendo "relatos que revelam que a decisão de um único homem, o oficial soviético Stanislav Petrov, ajudou a evitar uma possível guerra nuclear global".

"Isso ocorreu em 26 de setembro de 1983. Sistemas de radar no bunker próximo a Moscou, onde Petrov estava em serviço, indicaram o lançamento de vários mísseis balísticos intercontinentais dos Estados Unidos em direção à União Soviética. No entanto, tratava-se de uma falha no sistema soviético de rastreamento por satélite. Desafiando ordens, Petrov decidiu não comunicar o suposto ataque ? uma escolha feita com a plena consciência de que aquele simples ato poderia ter resultado em milhões de mortes", narra Leão XIV.

Para o pontífice, "um mundo no qual máquinas, por mais sofisticadas e velozes que sejam em relação a nós, decidam bombardear pessoas indefesas seria verdadeiramente aterrador".

"A consciência de uma única pessoa pode valer mais do que o mundo inteiro. A paz, em última análise, exige esperança. A Igreja continuará a pregar a caridade para com todos os homens e mulheres", conclui o Papa. 

Ansa - Brasil
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