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Jihadistas param extração de petróleo na Síria por ataques

O EI produz mais petróleo que o governo sírio, uma produção estimada em 80 mil barris diários

26 set 2014
14h15
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Os jihadistas pararam de extrair petróleo em seis campos que controlam em Deir Ezzor, no leste da Síria, por medo dos bombardeios americanos, privando o grupo Estado Islâmico (EI) de uma importante fonte de renda, informaram nesta sexta-feira habitantes da zona.

Posto de gasolina sírio: rebeldes para a extração do minério por medo de ataques
Posto de gasolina sírio: rebeldes para a extração do minério por medo de ataques
Foto: Twitter

"A extração do petróleo parou devido à situação de insegurança. Todos os campos estão parados com exceção do de Coneco, que fornece o gás necessário para o fornecimento elétrico de seis províncias", afirmou à AFP Leith al-Deiri, que vive na cidade de Deir Ezzor.

"Não há intermediários nem clientes que se dirijam aos campos porque têm medo dos bombardeios", disse Rayan al-Furati, que deixou Deir Ezzor há dez dias, mas segue em contato com os habitantes da província.

"Antes havia muita gente e era preciso esperar quatro dias para ser atendido de tão forte que era a demanda", acrescentou, ressaltando que "nenhum dos campos sofreu danos porque os ataques da coalizão se concentraram nas refinarias".

Desde julho, o EI controla a maioria da província petrolífera de Deir Ezzor e a maior parte dos campos petrolíferos da região, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), uma ONG com sede na Grã-Bretanha.

O EI produz mais petróleo que o governo sírio. O ministério do Petróleo sírio estima que os jihadistas extraem 80 mil barris diários, enquanto a produção governamental caiu a 17 mil barris diários.

Valérie Marcel, uma pesquisadora associada ao instituo Chatham House de Londres, afirma que o EI só produz 50 mil barris diários no Iraque e na Síria.

O objetivo dos ataques contra as refinarias é cortar uma das principais fontes de renda dos jihadistas que, segundo os especialistas, podem estar obtendo de 1 a 3 milhões de dólares por dia com a venda de petróleo contrabandeado a intermediários de países vizinhos.

Neste contexto, o Parlamento britânico autorizou o governo a se somar à ofensiva aérea no Iraque, uma campanha que pode durar anos, alertou o primeiro-ministro David Cameron.

Os deputados deram sua autorização por 524 votos a favor e 43 contra.

Vários países europeus anunciaram um maior envolvimento na ofensiva contra os jihadistas. Holanda e Bélgica colocaram a disposição da coalizão aviões de combate F-16, enquanto Austrália e Grécia anunciaram a entrega de material militar aos combatentes curdos no Iraque.

Já o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou nesta sexta-feira que a posição de seu país sobre a luta contra o EI havia mudado após a libertação de um grupo de reféns turcos, dando a entender que poderia se unir à coalizão militar internacional contra o grupo jihadista.

Na fronteira da Turquia com a Síria, centenas de curdos derrubaram a cerca que separa os dois países e entraram em território sírio com o objetivo de se unir às forças curdas que enfrentam os jihadistas, constatou a AFP.

Segundo os serviços secretos americanos, mais de 15 mil combatentes de mais de 80 países diferentes se uniram às fileiras dos grupos jihadistas no Iraque e na Síria.

Neste sentido, o Conselho de Segurança das Nações Unidas convocou na quarta-feira os Estados, que temem atentados no retorno destes combatentes ao seu território, a impedir seus cidadãos de se inscrever nestes grupos extremistas.

Combate ao Estado Islâmico fracassará se Assad continuar no poder, diz Catar
O emir do Catar, xeque Tamim bin Hamad al-Thani, alertou que os ataques liderados pelos Estados Unidos contra a militância do Estado Islâmico não terão sucesso enquanto o presidente sírio, Bashar al-Assad, continuar no poder.

As forças norte-americanas, com apoio de aliados árabes, vêm bombardeando alvos no norte e no leste da Síria esta semana, após ataques dos EUA contra um grupo dissidente da Al Qaeda no Iraque desde o início de agosto.

"Temos de combater o terrorismo, sim. Mas acredito que a principal causa de tudo isso é o regime na Síria. E esse regime tem de ser punido", disse o xeque Tamim em entrevista à CNN na quinta-feira à noite.

"... Se pensarmos que vamos passar sobre os movimentos terroristas e deixar aqueles regimes fazendo o que fazem - esse regime em especial, fazendo o que está fazendo -, então os movimentos terroristas vão voltar de novo", disse ele, de acordo com uma excerto da entrevista.

Combatentes islâmicos vêm explorando o caos de três anos na a guerra civil da Síria, que coloca Assad e seus aliados contra rebeldes muçulmanos sunitas e militantes islâmicos, principalmente. Com isso, conseguiram tomar território nas províncias do leste do país.

O Catar, que enviou dinheiro e armas para rebeldes que lutam contra Assad, também apoia os ataques dos EUA contra e Estado Islâmico, tendo contribuído com um avião na primeira noite de bombardeios, na terça-feira.

Outros aliados dos EUA no mundo árabe, Jordânia, Barein, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, se juntaram nos ataques. Todos são governados por muçulmanos sunitas e são adversários de Assad, membro de uma seita muçulmana derivada do xiismo, e também do principal aliado do governo sírio na região, o Irã, país de maioria xiita.

Com informações da Reuters e AFP. 

Desvendando o Estado Islâmico Desvendando o Estado Islâmico

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