Documentário candidato ao Oscar denuncia ocupação israelense
Five Broken Cameras, narrado em primeira pessoa pelo palestino Emad Bornat, conta a história do seu filho, Jibril, durante sete anos de protestos contra a ocupação israelense na aldeia de Bilin
O filme Five Broken Cameras (Cinco Câmeras Quebradas, na tradução do inglês), dirigido pelo palestino Emad Bornat e pelo israelense Guy Davidi é um dos cinco candidatos ao Oscar de melhor documentário. A obra faz uma denúncia pessoal e dolorosa à ocupação israelense na Cisjordânia ao mostrar o movimento popular palestino pela perspectiva de Bornat.
O cinegrafista palestino começou a filmar as manifestações desde o início, em 2005, ano em que seu filho, Jibril, nasceu. O garoto é o protagonista do documentário, relatado em primeira pessoa por seu pai. Ao longo do filme, Jibril, que hoje tem 7 anos, vai crescendo. Entre as primeiras palavras que o menino aprendeu a falar estão: soldados, cerca e gás lacrimogêneo.
O filme mostra a infância de Jibril dentro de um cenário de violência e morte, tossindo quando as tropas israelenses lançam gás lacrimogêneo contra os manifestantes e chorando quando seu amigo, Fil, é morto.
Ao longo dos sete anos de filmagem, Bornat utilizou cinco câmeras, que sucessivamente foram destruídas por tiros disparados pelas tropas israelenses durante as manifestações.
Cada câmera nova abre um novo capítulo no documentário.
"Acredito que o filme pode ter um papel importante na luta contra a ocupação", afirmou Davidi ao Terra, que conheceu seu parceiro palestino quando participou, como ativista, das manifestações em Bilin, aldeia na Cisjordânia que se tornou símbolo da luta não-violenta contra a ocupação, após anos de manifestações semanais contra o muro construído por Israel, que atravessa a aldeia.
"O filme é palestino, nasceu na Palestina, e pertence ao povo palestino", disse Bornat , "se ganharmos o Oscar quero que o prêmio seja de todo o povo palestino". No entanto, como o filme foi feito por um diretor palestino e outro israelense, a mídia de Israel o classifica como "israelense", apesar das fortes críticas que apresenta contra a política do país. "Não represento Israel", disse Davidi, "represento apenas a mim mesmo".
Indicação ao Oscar
Quando Davidi recebeu a notícia de que seu filme havia sido indicado, imediatamente telefonou ao seu parceiro palestino. Naquele momento Bornat nem sabia da notícia, pois estava com o carro atolado na lama, perto de Bilin.
De acordo com Davidi, o filme já foi mostrado em dezenas de países e recebeu excelentes críticas, tanto de profissionais como do público. "Já ganhamos cerca de 30 prêmios ao redor do mundo e recebemos reações muito emocionadas do público", disse Davidi.
"Muitas pessoas me disseram que o filme mudou radicalmente sua visão sobre o conflito israelense-palestino, por ser um documentário pessoal, que toca nos corações dos expectadores", acrescentou.
Expectativa pelo prêmio
Bornat está se preparando para ir a Hollywood junto com sua esposa, Soraya, o filho Jibril, que já tem 7 anos, e o parceiro israelense Davidi. Soraya nasceu no Brasil, mudou-se para Cisjordânia há cerca de 18 anos e toda a familia tem fortes ligações com o Brasil.
Tanto Bornat como Davidi acreditam que as chances de ganharem o Oscar, no dia 24 de fevereiro, são grandes. "O filme teve muito sucesso junto ao público, em todos os continentes", disse Davidi, "e acredito que, como o Oscar é muito influenciado pelas reações do público, temos boas chances".
As circunstâncias políticas internacionais também podem ajudar na premiação do Five Broken Cameras. Com as críticas crescentes da comunidade internacional à ocupação israelense, e depois das últimas declarações do presidente americano Barack Obama contra o governo do premiê Benjamin Netanyahu, o clima político atual pode ser favorável à premiação do documentário de Bornat e Davidi.