Operações de resgate avançam lentamente enquanto número de mortos no Nepal e na China aumenta
As operações de resgate avançam lentamente neste domingo (30) no Nepal e na China, em meio a condições perigosas. Equipes tentam localizar sobreviventes quatro dias após as inundações devastadoras que deixaram cerca de 760 mortos. Mais de 3 mil pessoas continuam desaparecidas, e as esperanças de encontrar sobreviventes sob a lama e os escombros diminuem.
O colapso de uma geleira no Himalaia gerou enxurradas devastadoras que deixaram ao menos 768 mortos e mais de 3 mil desaparecidos no Nepal e na China. Equipes internacionais enfrentam condições perigosas para tentar resgatar cerca de 100 trabalhadores presos em um túnel. Com sepultamentos iniciados por razões sanitárias, o Nepal apela por ajuda humanitária bilionária, enquanto autoridades e cientistas alertam que a tragédia é reflexo do agravamento das mudanças climáticas globais.
Em uma área profundamente devastada pela enorme enxurrada provocada pelo colapso de uma geleira do Himalaia, as equipes de resgate são obrigadas a trabalhar sob a ameaça constante de novos desastres naturais.
Neste domingo, as autoridades nepalesas voltaram a pedir cautela devido a uma nova elevação do nível das águas do rio Bhotekoshi, que transbordou na quarta-feira após a avalanche de rocha e gelo.
No entanto, com o uso de perfuradoras e escavadeiras, as equipes de resgate conseguiram chegar neste domingo à entrada de um túnel no canteiro de obras da hidrelétrica Trishuli-3, onde as autoridades acreditam que cerca de 100 trabalhadores estejam presos desde o desastre.
"Quatro rotas de acesso foram abertas. Preparativos estão em andamento para entrar diretamente no túnel e realizar operações de busca e resgate", informou o Ministério da Energia.
As equipes de resgate, compostas por cerca de 80 nepaleses e agora auxiliadas por especialistas da Índia, da China e da Coreia do Sul, estão no local desde sexta-feira (28), mas foram forçadas a suspender as operações no sábado devido à chuva e à elevação do nível da água.
3 mil desaparecidos
Do lado chinês, socorristas que atuavam no Tibete foram transferidos para um local seguro após um deslizamento de terra criar uma nova represa natural, informou a imprensa estatal.
Segundo dados oficiais, ainda considerados muito provisórios neste domingo, um total de 768 corpos, sendo 752 no lado nepalês e 16 no lado tibetano, foi recuperado desde quarta-feira da espessa camada de lama e dos destroços de edifícios, estradas, pontes e canteiros de obras arrastados pela enxurrada.
Apesar das centenas de pessoas já resgatadas, as autoridades dos dois países continuam sem notícias de mais de 3 mil desaparecidos, sendo 2.502 no Nepal e 546 na China.
"As pessoas estão desesperadas para encontrar familiares, vivos ou mortos, mas simplesmente não conseguimos. Olhe para toda essa lama", disse à AFP Kawan Koirala, socorrista da defesa civil do Nepal.
Ao longo do domingo, familiares dos desaparecidos continuaram a se aglomerar na sede das operações de resgate, na cidade de Bidur, e em hospitais de Katmandu, em busca de qualquer informação.
Quatro dias após o desastre, as autoridades nepalesas autorizaram, no domingo, o sepultamento das primeiras vítimas, após a coleta de amostras de DNA para permitir que as famílias identifiquem, realizem a cremação e, posteriormente, exumem os corpos, em conformidade com a tradição hindu.
"Muitos corpos foram recuperados e já começaram a se decompor", explicou à imprensa Amrit Bahadur Rai, secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores. "Por razões de saúde pública, fomos obrigados a sepultá-los."
Solidariedade internacional para reconstrução
Embora ainda seja cedo para uma avaliação precisa, o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, estima o custo da reconstrução em "vários bilhões de dólares" e faz um apelo à solidariedade internacional.
Seguindo o exemplo da União Europeia e de outros países, os Estados Unidos anunciaram no sábado a liberação de US$ 3,6 milhões em ajuda humanitária para o Nepal.
Especialistas e cientistas atribuem o desastre ao colapso de uma enorme geleira, que transformou instantaneamente um rio antes tranquilo em uma torrente devastadora.
"O aquecimento global torna tragédias como esta, e tantas outras ao redor do mundo, muito mais prováveis, frequentes e severas", alertou Simon Stiell, chefe da divisão de Mudanças Climáticas da ONU.
"O Nepal emite menos de 0,01% dos gases de efeito estufa e, ainda assim, está entre as principais vítimas das mudanças climáticas", enfatizou o ministro Shisir Khanal. "Esta luta deve ser de todos."
Com AFP
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