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'Não' à União Europeia avança na Islândia e impõe revés a Bruxelas

O voto pelo "não" no referendo sobre a retomada dos debates a respeito da adesão da Islândia à União Europeia abriu uma vantagem quase insuperável durante a apuração neste domingo (30). A votação sobre essa questão altamente controversa na ilha foi realizada no sábado.

30 ago 2026 - 06h01
(atualizado às 06h04)
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Resumo
A maioria dos eleitores da Islândia rejeitou a retomada das negociações para a adesão à União Europeia em referendo consultivo. O resultado representa um revés para Bruxelas, que buscava expandir sua presença no Ártico. Diante da vitória do "não", impulsionada pela resistência da indústria pesqueira local e debates econômicos, o governo da primeira-ministra Kristrún Frostadóttir prometeu respeitar a decisão popular e congelar o tema da integração europeia até, pelo menos, 2028.

Com mais de 70% das urnas apuradas, os votos contrários somavam 52,5%, enquanto os favoráveis representavam 47,5%, segundo dados em tempo real da emissora pública RÚV, que concluiu em seu site que "a nação rejeita as negociações de adesão à União Europeia".

Salvo uma grande surpresa, o resultado representa um duro golpe para o bloco, que via com bons olhos uma candidatura islandesa. Com a vitória do "não", qualquer discussão sobre a adesão da rica ilha do Atlântico Norte deverá permanecer congelada pelo menos até 2028.

Em 2009, na esteira da crise financeira que devastou sua economia, o país apresentou um pedido de adesão. As negociações, porém, foram suspensas em 2013, quando um governo eurocético assumiu o poder. Atualmente, a Islândia mantém laços estreitos com a União Europeia por meio de sua participação no Espaço Econômico Europeu e no Espaço Schengen, entre outros mecanismos que permanecem inalterados independentemente do resultado da consulta.

Em meio ao aumento das tensões internacionais, o atual governo, liderado pela social-democrata Kristrún Frostadóttir, pretendia avaliar a opinião pública sobre a conveniência de explorar uma integração mais profunda. Formalmente, o referendo tem caráter consultivo, mas o governo comprometeu-se a respeitar seu resultado, qualquer que fosse.

Uma coletiva de imprensa foi convocada para a tarde de domingo para discutir como o governo pretende proceder.

Economia

A campanha concentrou-se principalmente em questões econômicas e domésticas, embora a guerra na Ucrânia e o interesse de Donald Trump pela vizinha Groenlândia, que o presidente dos Estados Unidos confundiu repetidamente com a Islândia, tenham conferido uma dimensão geopolítica à votação.

O referendo "ajudou a reacender o debate sobre a União Europeia, sobre o lugar da Islândia no mundo e, de forma mais ampla, sobre seu posicionamento geopolítico", disse Frostadóttir no sábado. "Tudo ficará bem, mesmo que o voto pelo 'não' vença", afirmou ela após votar pelo "sim" em uma escola de Reykjavik.

Frostadóttir já havia alertado que, se os eleitores rejeitassem a proposta, não voltaria a defendê-la antes do fim de seu mandato, previsto para 2028.

O governo também indicou que encaminharia ao Parlamento a questão da retirada formal da candidatura da Islândia à União Europeia.

Analistas políticos consideram improvável a renúncia do governo de coalizão, formado por três partidos com posições divergentes sobre a questão europeia, embora avaliem que a aliança possa sair enfraquecida do processo.

Bruxelas buscou postura conciliadora

Se o voto pelo "sim" tivesse prevalecido, a Islândia teria retomado as negociações com a União Europeia, especialmente em relação à delicada questão da pesca, um dos pilares da economia do país e elemento central de sua identidade nacional, sobre a qual Reykjavik insistia em manter controle. Qualquer eventual acordo entre as partes seria então submetido a um segundo referendo.

Diante da forte oposição da indústria pesqueira, com 90% das empresas do setor contrárias à adesão, a União Europeia procurou adotar um tom conciliador. "As características específicas da Islândia em relação à pesca e à agricultura são bem conhecidas. Elas precisarão ser examinadas cuidadosamente", declarou a comissária para o Alargamento, Marta Kos.

"Estou convencida de que, juntamente com os Estados-membros da UE, encontraríamos soluções criativas", afirmou. Uma fonte em Bruxelas disse à AFP que não acreditava que os europeus "quisessem bloquear a adesão por causa de uma questão de peixes".

Para a União Europeia, que não admitia um país rico desde 1995, a adesão da Islândia serviria como uma vitrine positiva para sua política de alargamento e permitiria expandir sua presença no Ártico, região cada vez mais disputada por diversas potências.

Um eventual "sim" dos islandeses também poderia ajudar a reacender o debate na rica Noruega, que igualmente tem demonstrado resistência à adesão ao bloco.

Com AFP

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