ONU recebe relatos de crimes dos dois lados na Costa do Marfim
1 abr2011 - 13h10
(atualizado às 13h43)
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Enquanto os confrontos se intensificam na Costa do Marfim, a ONU anunciou nesta sexta-feira ter recebido informações de que os dois grupos políticos que disputam o poder no país são acusados de sérias violações de direitos humanos.
Dois corpos jazem na rua enquanto as tropas leais ao ex-presidente Laurent Gbagbo entram em confronto com partidários do candidato Alssane Ouattara em 16 de dezembro de 2010 no bairro de Aboboa, em Abidjan
Tropas leais ao opositor Alassane Ouattara - reconhecido internacionalmente como o vencedor do pleito presidencial de novembro passado - realizam ataques na principal cidade marfinense, Abidjan, em áreas ainda controladas pelo rival Laurent Gbagbo, que se recusa a deixar a Presidência.
Intensos confrontos tem sido registrados nos arredores da residência presidencial, onde testemunhas disseram ter visto uma nuvem de fumaça, e num quartel militar. Simpatizantes de Ouattara dizem ter tomado o controle da televisão estatal, que saiu do ar no fim da noite de quinta-feira.
Aliados de Gbagbo dizem que, mesmo com a intensificação da violência em Abidjan, ele ainda está na cidade.
A ONU, que ajudou a proteger Ouattara no período pós-eleitoral, disse que há relatos de que as tropas leais a ele cometeram crimes como sequestros, maus-tratos de civis, prisões arbitrárias, saques e extorsão durante seu avanço rumo a Abidjan.
Rupert Colville, porta-voz do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, pediu que Ouattara mantenha controle sobre os atos praticados por seus simpatizantes.
"Ao mesmo tempo, forças pró-Gbagbo também continuam a cometer violações diárias, incluindo a morte de dois civis que supostamente foram queimados vivos por milicianos", disse Colville em comunicado. A ONU ameaçou os responsáveis pelos crimes com ações "sob a lei internacional".
Ofensiva
Segundo analistas, o risco é crescente de uma nova guerra civil e de um banho de sangue no país.
As forças leais a Ouattara, vindas do norte do país, começaram a avançar na última segunda-feira e parecem já ter tomado cerca de 80% do país. Há indícios de que milhares de militares, incluindo líderes do Exército, desertaram para o lado de Ouattara.
Segundo o correspondente da BBC John James, tudo indica que Gbagbo - que não é visto em público há semanas - esteja prestes a ser forçado a deixar o poder.
Além da ofensiva de seu adversário, Gbagbo está sob sanções impostas pela ONU, pela União Europeia e por grupos africanos, mas ainda mantém o apoio de milícias e da Guarda Republicana.
O ministro do Exterior do gabinete de Gbagbo, Alcide Djedje, disse à BBC que Gbagbo quer negociar com Ouattara - indicando que o presidente não está disposto a renunciar de imediato.
"Vamos ver as negociações primeiro, e veremos qual será o resultado das negociações. Mas nós temos um esboço de uma solução e queremos nos sentar e encontrar uma via política para encerrar a crise. Gbagbo não é o tipo de pessoa que quer manter o poder, só quer negociar a salvação das vidas dos marfinenses."
Aviação
Depois da suspensão de todos os voos no país na quinta-feira, nesta sexta-feira o governo formado por Ouattara anunciou que o tráfego aéreo pode ser retomado.
A ONU e tropas francesas tomaram o controle do aeroporto internacional de Abidjan, que está sob toque de recolher até domingo. A crise política tem raízes em problemas econômicos e humanitários no país.
Sanções externas e vetos à exportação de cacau - do qual a Costa do Marfim é a maior produtora mundial - derrubaram a economia marfinense, e os bancos estão fechados há mais de um mês.
No campo humanitário, a ONU estima que 500 pessoas já tenham morrido em episódios de violência pós-eleitoral. O conflito deixou até agora 1 milhão de deslocados, a maioria para países como Gana e Libéria.
Na noite de quinta-feira, uma sueca a serviço da ONU foi morta a tiros em sua casa em Abidjan.
Homem vota nas eleições presidenciais do Haiti em 28 de dezembro de 2010
Foto: AFP
Os mediadores africanos Boni Yayi, presidente do Benin, Ernest Koroma, presidente de Serra Leoa, e Pedro Pires, presidente de Cabo Verde, representando os 15 países membros da Comunidade Econômica doOeste Africano, e o primeiro-ministro queniano, Raila Odinga, representando a União Africana, saem deuma reunião com o líder da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, em 3 de janeiro de 2011 no palácio presidencial em Abijian
Foto: AFP
O presidente da Costa do Marfim e candidato presidencial Laurent Gbagbo vota em Abidjan em 28 de novembro de 2010, durante o segundo turno das eleições presidenciais
Foto: AFP
Um membro da Comissão Eleitoral mostra uma cédula em 28 de novembro de2010, em Bouaké, após o término da votação para o segundo turno das eleições presidenciais na Costa do Marfim
Foto: AFP
Soldados das forças da ONU montam guarda perto de um centro de contagem de votos em 29 de novembro de 2010 em Yopougon, um subúrbio de Abidjan, um dia após o segundo turno das eleições presidenciais da Costa do Marfim
Foto: AFP
Policiais da Costa do Marfim dispersam os manifestantes em uma rua de Gagnoa em 29 de novembro de 2010, um dia depois do segundo turno das eleições presidenciais na Costa do Marfim. A votação, marcada pela violência, deixou pelo menos sete mortos
Foto: AFP
Manifestantes seguram um cartaz que diz "não à ditadura, vida longa para a democracia" em frente à sede da Operação das Nações Unidas na Costa do Marfim (ONUCI), em 2 de dezembro de 2010 em Bouaké
Foto: AFP
Apoiadores do candidato presidencial e vencedor não-oficial Alassane Ouattara se reúnem para comemorar sua eleição em 02 de dezembro de 2010 em Bouaké
Foto: AFP
Apoiadores do candidato presidencial Alassane Ouattara queimam pneusna rua em 03 de dezembro de 2010, em Abidjan, após o chefe do Conselho Constitucional da Costa do Marfim, um aliado de Gbagbo, ter afirmado que Gbagbo ganhou a eleição
Foto: AFP
Policiais passam por pneus queimados nas ruas de Abidjan durante um protesto de partidários de Alassane Dramane Ouattara em 04 de dezembro de 2010
Foto: AFP
Laurent Gbagbo tomou posse como presidente da Costa do Marfim em 04 de dezembro de 2010 em Abidjan. Laurent Gbagbo foi formalmente empossado apesar da rejeição internacional à sua reeleição
Foto: AFP
O candidato presidencial Alassane Dramane Ouattara assiste a uma cerimônia em um hotel em Abidjan em 04 de dezembro de 2010, após o primeiro-ministro Guillaume Soro, líder do movimento das Forças Novas que controla o norte do país, oferecer sua carta de renúncia a Ouattara. Alassane Ouattara jurou a si mesmo no como novo presidente da Costa do Marfim por carta, reivindicando a presidência em desafio a Laurent Gbagbo, que enfrenta pressão internacional para deixar o poder
Foto: AFP
Apoiadores de Alassane Ouattara queimam pneus durante uma manifestação nas ruas de Abidjan em 06 de dezembro de 2010
Foto: AFP
Tanques das Nações Unidas patrulham o Hotel Golf, sede de Alassane Ouattara, em 06 de dezembro de 2010 em Abidjan
Foto: AFP
O ex-primeiro-ministro e candidato às eleições presidenciais AlassaneOuattara fala no telefone atrás de um soldado da ONU que patrulha o Hotel Golf, sua sede, em 08 de dezembro de 2010 em Abidjan
Foto: AFP
Dois corpos jazem na rua enquanto as tropas leais ao ex-presidente Laurent Gbagbo entram em confronto com partidários do candidato Alssane Ouattara em 16 de dezembro de 2010 no bairro de Aboboa, em Abidjan
Foto: AFP
Soldados da ONU na Costa do Marfim tomam posição junto a uma linha de arames farpados na entrada sede da ONUCI em Abidjan em 20 dezembro de 2010
Foto: AFP
Mulheres cristãs fazem uma oração pela paz em 27 de dezembro de 2010 na Praça da República em Abidjan
Foto: AFP
O presidente do Benin Yayi Boni é escoltado pelo primeiro-ministro da Costa do Marfim Gilbert Marie N'gbo Ake ao chegae ao aeroporto Felix Houphouet-Boigny, em Abidjan, antes da realização de conversas separadas com Gbagbo e seu rival Alassane Ouattara
Foto: AFP
O presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, conversa com os presidentes de Benin, Boni Yayi, e de Serra Leoa, Ernest Koroma, após a sua reunião em 28 de dezembro de 2010 no Palácio Presidendical em Abidjan
Foto: AFP
O presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, conversa com os presidentes de Cabo Verde, Pedro Pires, de Serra Leoa, Ernest Koroma, e do Benin, Boni Yayi, durante sua reunião de 28 de dezembro de 2010 no Palácio Presidencial, em Abidjan
Foto: AFP
O vencedor das eleições presidenciais da Costa do Marfim internacionalmente reconhecido, Alassane Ouattara, conversa com o presidente doCabo Verde, Pedro Pires, e do Benin, Yayi Boni, após uma reunião em 28 de dezembro de 2010 no Hotel Golf em Abidjan
Foto: AFP
Apoiadores do internacionalmente reconhecido vencedor das eleições presidenciais da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, protestam em 28 de dezembro de 2010 em frente ao Hotel Golf, em Abidjan
Foto: AFP
Membros do grupo radical "Jovens Patriotas", partidários de Laurent Gbagbo, protestam em 29 de dezembro de 2010 em Abidjan
Foto: AFP
Mulher atravessa a rua na frente de um carro da ONU que foi queimado em 30 dezembro de 2010 no bairro de Yopougon, em Abidjan, onde moram apoiadores de Laurent Gbagbo
Foto: AFP
O ex-primeiro-ministro e candidato presidencial Alassane Ouattara é clicadodepois de exercer o seu voto em 28 de novembro de 2010, durante o segundo turno das eleições presidenciais em Abidjan
Foto: AFP
04 de janeiro de - Tropas das Nações Unidas patrulham as ruas de Abidjan
Foto: AP
04 de janeiro - Alassane Ouattara (à esquerda), internacionalmente reconhecido como presidente eleito da Costa do Marfim, fala com o seu chefe de gabinete, Marcel Amon Tanoh, no início de um encontro com um grupo de embaixadores no Hotel Golf, em Abidjan
Foto: AP
04 de janeiro - Alassane Ouattara (à direita), reconhecido internacionalmente como o presidente eleito da Costa do Marfim, reuniu-se com um grupo de embaixadores, incluindo o embaixador dos EUA, Phillip Carter (à esquerda), no Hotel Golf, em Abidjan
Foto: AP
05 de janeiro - Alcide Djedje (centro), ministro das Relações Exteriores do governo do líder Laurent Gbagbo, fala durante coletiva de imprensa em seu escritório, em Abidjan
Foto: Reuters
06 de janeiro - O presidente eleito, Alassane Ouattara, concede entrevista à imprensa no hotel Golf, em Abidjan
Foto: Reuters
06 de janeiro - Ouattara disse que tem provas de que seu rival, Laurent Gbagbo, instigou a violência pós-eleitoral e ordenou que agentes estrangeiros realizassem assassinatos
Foto: Reuters
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