Número de mortos por inundações no Nepal e na China se aproxima de 600
Mais de 2 mil pessoas estão desaparecidas, e autoridades temem nova tragédia
O colapso de uma geleira no Himalaia causou inundações e deslizamentos devastadores na fronteira entre o Nepal e a China, deixando ao menos 584 mortos e mais de 2 mil desaparecidos. A avalanche de lama e detritos destruiu vilarejos e postos fronteiriços, concentrando a maioria das vítimas no território nepalês. Enquanto equipes de resgate buscam sobreviventes, autoridades de ambos os países mantêm alerta máximo pelo risco iminente de novos desastres com barragens e lagos de retenção.
Subiu para 584 o número de pessoas mortas pelos deslizamentos e pelas inundações repentinas que atingiram a fronteira entre Nepal e China na última quarta-feira (26), enquanto mais de 2 mil indivíduos continuam desaparecidos.
Segundo o balanço mais recente divulgado pela Agência Nacional de Gestão e Redução de Riscos de Desastres nepalesa (NDRRMA), pelo menos 579 corpos já foram encontrados por socorristas no país, cifra que vem aumentando rapidamente.
Ainda de acordo com o órgão, 1.924 pessoas estão desaparecidas, incluindo 517 cidadãos estrangeiros. A China, por sua vez, confirmou cinco óbitos até o momento, segundo a agência de notícias estatal Xinhua, e 558 indivíduos ainda não puderam ser contatados.
A tragédia foi provavelmente provocada pelo colapso de uma geleira no Himalaia, cordilheira que abriga os picos mais altos do planeta. Um enorme bloco de gelo se desprendeu e arrastou uma massa de detritos, incluindo rochas, árvores e sedimentos, enquanto escorregava montanha abaixo.
Essa avalanche atingiu primeiro o movimentado posto de fronteira de Gyirong, no Tibete, na China, como documentado por imagens impressionantes de câmeras de segurança no local, que mostram a lama encobrindo e derrubando construções. A destruição foi tamanha que socorristas tibetanos conseguiram chegar na área mais devastada pelo deslizamento apenas nesta sexta-feira (28).
A massa de detritos seguiu rumo ao Nepal e provocou a cheia repentina do rio Bhote Koshi, que deixou diversos vilarejos sob um mar de lama. Muitas pessoas sequer tiveram tempo de fugir.
As operações de busca por desaparecidos seguem a todo o vapor, enquanto autoridades locais estão em alerta para o risco de novos desastres. No Nepal, a polícia divulgou um aviso de que uma barragem nas montanhas está com uma "brecha" e pediu que a população local se abrigue em lugares seguros.
Nepaleses buscam abrigo em lugares altos devido ao risco de novas inundaçõesNa China, as equipes de socorro chegaram a interromper as operações por algumas horas nesta sexta-feira devido ao risco de rompimento de um lago de retenção, ou seja, que foi formado pelo acúmulo de detritos.
Esse lago, segundo o Ministério dos Recursos Hídricos de Pequim, se formou na confluência entre os rios Chhochen Khola e Purepu Tsangpo e já atingiu um volume de cerca de 2 milhões de metros cúbicos, com expectativa de aumentar nas próximas horas devido à previsão de chuva na região.
O presidente Xi Jinping comandou uma reunião da liderança do Partido Comunista para discutir a resposta à tragédia e determinou a intensificação das buscas em Gyirong, bem como o envio de assistência humanitária ao Nepal.
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