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Nova crise migratória em Ceuta deixa mortos e leva Espanha a mobilizar Exército

Milhares de pessoas de Marrocos chegaram ao enclave espanhol a nado

30 jul 2026 - 16h46
(atualizado às 17h00)
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Uma nova crise migratória voltou a colocar Ceuta no centro das atenções nesta quinta-feira (30). Milhares de pessoas chegaram ao enclave espanhol no norte da África, atravessando a fronteira por mar e por terra a partir do Marrocos.

Pelo menos 11 migrantes morreram afogados durante a tentativa de chegar ao território espanhol, enquanto dezenas continuam desaparecidos.

A onda de chegadas reacendeu o temor de uma repetição da crise de maio de 2021, quando mais de 8 mil migrantes entraram em Ceuta em apenas 48 horas, provocando uma grave crise humanitária e diplomática entre Espanha e Marrocos.

Segundo as autoridades locais, entre 1,5 mil e 2 mil pessoas conseguiram chegar ao enclave nadando nos últimos dias, em um ritmo estimado de cerca de 300 por dia. Homens, mulheres com crianças, jovens e pessoas com deficiência participaram das travessias, aproveitando as condições favoráveis do mar e do clima no Estreito de Gibraltar.

O prefeito da cidade autônoma de Ceuta, Juan Jesús Vivas, classificou a situação como uma "emergência humanitária e social absoluta" e pediu ao governo espanhol a declaração de estado de emergência nacional, a criação de um comando unificado e o reforço das forças de segurança com o envio do Exército.

A Assembleia de Ceuta aprovou por unanimidade uma moção solicitando o fechamento temporário da fronteira com o Marrocos, descrito pelos parlamentares como uma medida "urgente e inevitável" diante da pior crise migratória enfrentada pelo enclave nos últimos anos.

O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez decidiu mobilizar as Forças Armadas para auxiliar a Guarda Civil no controle da fronteira. De acordo com fontes do governo, as tropas atuarão em apoio às operações de segurança e serão coordenadas pelo comando militar.

O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, também anunciou uma visita urgente a Ceuta para acompanhar a situação e informou que as autoridades marroquinas continuam cooperando com Madri e realizando operações para impedir que migrantes alcancem as águas espanholas.

O Centro de Acolhimento Temporário de Migrantes (CETI), com capacidade aproximada para 500 pessoas, enfrenta forte pressão.

Cerca de 700 menores desacompanhados estão sob responsabilidade das autoridades locais, enquanto mais de mil pessoas aguardam atendimento.

Até o momento, a Guarda Civil espanhola e os serviços de Salvamento Marítimo recuperaram os corpos de 11 migrantes que morreram durante a travessia. Organizações não governamentais relataram que pelo menos 20 pessoas ainda estão desaparecidas.

Nos últimos 12 meses, cerca de 70 migrantes teriam morrido ao tentar alcançar Ceuta pelo mar, segundo dados de entidades que acompanham a rota migratória.

Moradores do enclave relatam preocupação com a dimensão da crise e com a situação dos recém-chegados. "Estamos preocupados conosco, mas também com eles; muitos chegam feridos após atravessar a nado", disseram testemunhas.

A Comissão Europeia afirmou que acompanha de perto a situação e declarou estar pronta para ampliar o apoio financeiro e operacional à Espanha, inclusive por meio da agência europeia de fronteiras Frontex.

Bruxelas destacou a importância da cooperação entre Espanha e Marrocos e afirmou que o país africano continua sendo um parceiro considerado fundamental na gestão das fronteiras e no combate ao tráfico de pessoas. 

Ansa - Brasil
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