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Migrantes atravessam fronteira e entram em Ceuta, Espanha; militares são acionados

30 jul 2026 - 16h03
(atualizado às 17h03)
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O governo espanhol anunciou que enviará unidades militares ‌para reforçar a polícia no enclave norte-africano de Ceuta, depois que migrantes romperam as cercas e entraram na cidade vindos de Marrocos nesta quinta-feira, sobrecarregando a Guarda Civil.

Imagens de vídeo mostraram centenas de migrantes nadando do lado marroquino usando boias infláveis e outros dispositivos de flutuação, enquanto outros arrombavam um portão na cerca e corriam para dentro da cidade.

A cena lembrou ⁠uma travessia ocorrida em 2021, quando cerca de 10 mil pessoas vindas de Marrocos e da ‌África Subsaariana, muitas delas menores de idade, entraram no enclave de 85 mil habitantes em poucos dias.

Um porta-voz da Guarda Civil afirmou mais cedo que os migrantes estavam "entrando em massa pelo ‌mar" através do quebra-mar de Tarajal, e que a ‌polícia estava sobrecarregada, mas não pôde fornecer estimativas sobre os números.

A televisão estatal TVE ⁠informou que entre 2.000 e 3.000 pessoas haviam cruzado a fronteira. A Reuters não conseguiu confirmar essa informação imediatamente.

O Ministério do Interior informou que três pelotões de 20 soldados cada, uma unidade de mergulho e uma embarcação militar seriam mobilizados até sexta-feira. Unidades especiais de intervenção policial também estavam sendo reforçadas para um total de 200 efetivos, informou o ministério.

O governo regional ‌de Ceuta havia solicitado anteriormente a Madri que mobilizasse o Exército para garantir a segurança e ‌fechar a fronteira com o ⁠Marrocos.

MORADORES TEMEM DISTÚRBIOS

Muitas lojas ⁠locais estavam fechadas. Enrique Serrano, que administra uma loja de roupas femininas no centro de Ceuta, disse ⁠à Reuters que os empresários estavam se organizando para ‌proteger seus bens e suas ‌famílias em caso de possíveis distúrbios, pois acreditavam que os recursos policiais seriam insuficientes.

"Não vou abrir esta tarde porque a situação está extremamente tensa... A primeira coisa que tenho que fazer é proteger meu negócio e minha família", disse ele, acrescentando que, quando ⁠a cerca foi rompida após a meia-noite, centenas de migrantes invadiram o local em questão de minutos.

Ceuta, juntamente com Melilla — outra cidade autônoma espanhola localizada no norte da África —, representa a única fronteira terrestre da União Europeia com a África. Ambas as cidades enfrentam periodicamente picos de tentativas de travessia por migrantes que ‌buscam chegar à Europa.

Imagens mostraram alguns dos migrantes gritando "Viva a Espanha" ao entrarem no território.

O governo socialista da Espanha se destaca na Europa por sua postura pró-migrantes e lançou recentemente ⁠um programa para conceder status legal a cerca de 500 mil migrantes sem documentos, o que gerou um fluxo de solicitações que chegou a dobrar esse número.

Partidos de direita criticaram a iniciativa, argumentando que ela atrairia mais migrantes para a Espanha, e não hesitaram em culpar o primeiro-ministro Pedro Sánchez por permitir que a situação em Ceuta atingisse proporções de crise.

O líder do Partido Popular, da oposição conservadora, Alberto Núñez Feijoo, afirmou em uma postagem no X: "A situação em Ceuta é desesperadora. O governo não pode fazer vista grossa... porque estamos diante de uma crise de segurança nacional."

Em uma postagem no X, Sánchez disse ter informado ao governador de Ceuta, Juan Jesús Vivas, que seu governo estava "totalmente focado" em dar uma resposta imediata e preparar medidas para restaurar a normalidade o mais rápido possível.

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