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"Não somos um pedaço de gelo", diz primeiro-ministro da Groenlândia em reação a Trump

9 abr 2026 - 14h31
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O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik ‌Nielsen, conclamou os aliados da Otan a se unirem para defender o direito internacional ao se opor aos últimos comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a ilha do Ártico.

Trump expressou sua frustração com a relutância da Otan em se envolver na guerra contra o Irã que ele lançou com Israel, ⁠dizendo em uma publicação nas redes sociais que a aliança militar não estava presente ‌quando necessário e não estaria presente "se precisarmos dela novamente. LEMBRE-SE DA GROENLÂNDIA, AQUELE PEDAÇO DE GELO GRANDE E MAL ADMINISTRADO".

Nielsen rejeitou a caracterização.

"Não somos um pedaço ‌de gelo. Somos uma população orgulhosa de 57.000 ‌pessoas, trabalhando todos os dias como bons cidadãos globais em total respeito ⁠a todos os nossos aliados", disse ele à Reuters.

Nielsen destacou a importância de manter a ordem geopolítica do pós-guerra, incluindo a aliança de defesa da Otan e a lei internacional respeitada globalmente.

"Essas coisas estão sendo desafiadas agora, e acho que todos os aliados devem se unir para tentar mantê-las. Espero que isso ‌aconteça", disse ele.

CONVERSAÇÕES DIPLOMÁTICAS CONTINUAM, MAS GROENLÂNDIA DESCONFIA DOS OBJETIVOS DOS EUA

Aliados da Otan já ‌estavam se esforçando no início ⁠deste ano para ⁠encontrar maneiras de manter a aliança unida depois que Trump reviveu seu esforço para tomar ⁠a Groenlândia da Dinamarca, um membro da ‌Otan.

Em janeiro, a Casa Branca ‌disse que Trump estava avaliando o uso de força militar na Groenlândia, levando a Alemanha, a França e outras nações europeias a enviar pequenos contingentes de tropas para a ilha em uma mensagem de solidariedade e ⁠dissuasão.

Posteriormente, Trump recuou após conversas com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, declarando que "a estrutura de um futuro acordo" havia sido formada e transferindo o conflito da Groenlândia para uma via diplomática. Sua última publicação nas redes sociais sobre a ilha ocorreu após uma nova reunião ‌com Rutte na quarta-feira.

No final de janeiro, Groenlândia, Dinamarca e EUA iniciaram conversações diplomáticas e Nielsen disse que elas ainda estavam em andamento, com mais ⁠reuniões agendadas.

Trump e seus apoiadores têm insistido que os EUA precisam da Groenlândia para se defender das ameaças da Rússia e da China no Ártico e que a Dinamarca não pode garantir sua segurança.

Os EUA já têm uma base na ilha e a capacidade de expandir sua presença lá de acordo com um tratado de 1951.

"Seria estranho, quando todas as partes querem discutir o aumento da cooperação em defesa, não levar em conta esse acordo (de 1951)", disse Nielsen, recusando-se a entrar em mais detalhes sobre o que estava sendo discutido nas negociações.

Apesar das conversas, Nielsen deixou claro que não acredita que Trump tenha abandonado suas ambições em relação à ilha: "Não vejo que seu desejo de assumir ou controlar a Groenlândia tenha sido retirado da mesa", disse ele.

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