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Mortes em terremotos na Venezuela chegam a 235; socorristas buscam sobreviventes

Mulher foi resgatada após passar quase 36 horas sob escombros

26 jun 2026 - 07h54
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Os terremotos devastadores que atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24) já deixaram pelo menos 235 mortos, segundo o mais recente balanço divulgado pelo ministro da Saúde, Carlos Alvarado. O número anterior era de 188 vítimas.

    "Infelizmente, registramos 235 pacientes que chegaram sem sinais vitais ou que faleceram após dar entrada em nossas unidades de saúde", declarou Alvarado em pronunciamento na televisão.

    O cenário de destruição é alarmante: mais de 70 mil famílias estão desabrigadas, conforme informou o ministro do Interior, Diosdado Cabello, em entrevista à TV pública venezuelana. O estado de La Guaira, o mais atingido pelo fenômeno, registrou o colapso de aproximadamente 100 edifícios, com as áreas de Caraballeda e Catia La Mar sendo as mais afetadas.

    Além disso, o número de feridos já chega a 4,3 mil, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde.

    Um site venezuelano dedicado à localização de pessoas desaparecidas informa que mais de 50 mil indivíduos ainda não foram encontrados ou contatados. A plataforma permite que familiares compartilhem detalhes e a última localização conhecida de seus entes queridos, na esperança de auxiliar as operações de busca em todo o país.

    Em La Guaira, a falta de recursos e equipamentos adequados tem dificultado os trabalhos de resgate. Parentes das vítimas denunciam que as equipes de socorro são insuficientes e mal equipadas, sendo necessário cavar com as próprias mãos entre os escombros. Muitos relatam ter conversado com seus entes queridos presos sob os escombros por horas, até que as vozes gradualmente se silenciassem.

    "Minha esposa não sobreviveu. Ela estava tomando banho quando os terremotos começaram. Tentamos escapar. Eu consegui sair do prédio, mas ela caiu, bateu a cabeça e ficou presa. Gostaria de alcançá-la pelo menos para cobrir seu corpo", disse um homem à imprensa local.

    Em meio à tragédia, uma mulher foi resgatada com vida após quase 36 horas soterrada em um prédio colapsado em La Guaira.

    "Quando começou o terremoto, me agarrei com todas as minhas forças ao batente da porta, tão forte que quebrei um dedo", relatou a sobrevivente, ainda em uma maca, em um vídeo divulgado pela BBC. Ela contou que se manteve firme "até que todos os andares desabaram".

    A comunidade internacional também registra perdas. A Embaixada de Pequim na Venezuela confirmou a morte de dois cidadãos chineses nos terremotos. A Espanha, por sua vez, informou que pelo menos dois compatriotas morreram e outros 80 estão desaparecidos. Pelo menos um cidadão italiano também teve o óbito confirmado.

    Ajuda internacional - Os Estados Unidos já mobilizaram dois navios de guerra, além de aeronaves de transporte e helicópteros, para fornecer suporte logístico às operações de resgate.

    Uma primeira equipe militar americana, liderada pelo major-general da Marinha Kevin Jarrard, já chegou a Caracas para coordenar os esforços de ajuda.

    O México também mandou um contingente de 250 militares e profissionais de saúde, além de cinco equipes com cães farejadores, quatro aeronaves, um drone e equipamentos especializados. A presidente Claudia Sheinbaum ainda informou que novas equipes podem ser enviadas conforme a necessidade. Um avião com dezenas de socorristas e toneladas de ajudas humanitárias também partiu da Alemanha. .

Ansa - Brasil
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