Script = https://s1.trrsf.com/update-1785845726/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Mundo

Publicidade

Milhões de livros queimados mostram como "guerra de resistência" está prejudicando a Ucrânia

10 ago 2026 - 10h52
Compartilhar
Exibir comentários

Viktor Kruhlov, diretor da Ranok, uma ‌das maiores editoras infantis da Ucrânia, mal continha as lágrimas ao ver pilha após pilha de seus livros se transformarem em cinzas.

"É uma visão terrível ver livros queimando", disse ele.

Um ataque russo com drones ao depósito da Ranok na cidade de Kharkiv, no nordeste do país, em 1º de agosto, destruiu cerca de ⁠8 milhões de livros — o maior golpe sofrido até agora pela indústria editorial ucraniana ‌durante a guerra de quatro anos.

As editoras afirmam que mais de 10 milhões de livros foram destruídos em ataques a depósitos nos últimos meses, ameaçando ‌um setor que, inicialmente, se beneficiou da crescente demanda ‌por literatura em língua ucraniana no início do conflito.

Enquanto os bombeiros ⁠combatiam o incêndio, Kruhlov disse que a primeira explosão no depósito foi seguida, momentos depois, por uma segunda no mesmo local.

"Este foi um ataque deliberadamente planejado contra o depósito de livros", disse Kruhlov, cuja empresa imprime cerca de um terço dos livros didáticos utilizados nas escolas ucranianas.

O Ministério da Defesa da Rússia não respondeu ‌a um pedido de comentário.

Os ataques a depósitos de livros e gráficas causaram grande ‌comoção em um país onde ⁠muitos veem a ⁠guerra como uma luta pela sobrevivência e identidade nacional. O ministro da Educação, Andrii Butenko, ⁠descreveu os ataques como uma tentativa de ‌destruir a língua, a história ‌e a memória ucranianas, "tudo aquilo a partir do qual a identidade de nossas crianças se desenvolve".

O presidente russo, Vladimir Putin, tem questionado repetidamente a soberania da Ucrânia e argumentado que russos e ucranianos são um único povo.

Além ⁠de seu impacto simbólico, os ataques ao setor editorial ilustram os crescentes custos econômicos de uma guerra cada vez mais definida pela resistência, afirmam economistas e líderes empresariais.

"Há sinais de uma crise no mercado. Ainda não sabemos como a situação vai se desenvolver", disse Yevhen Shyrynos, ‌editor-chefe da editora BookChef, que perdeu cerca de 800 mil livros — a maior parte de seu estoque — em um ataque russo a Kiev em 2 de ⁠julho.

Outros 100 mil livros foram perdidos quando seu depósito de reserva foi atingido em um ataque russo nesta semana.

"Isso depende da situação econômica geral da Ucrânia", afirmou Shyrynos.

A economia da Ucrânia tem se mostrado resiliente durante a guerra, adaptando-se a apagões, escassez de mão de obra e ataques repetidos à infraestrutura, ao mesmo tempo em que se mantém na luta com o apoio dos aliados ocidentais. Mas a produção econômica anual, de aproximadamente US$215 bilhões, permanece cerca de um quinto abaixo do nível anterior à invasão.

Economistas e executivos afirmam que o conflito está se tornando um teste de resistência econômica.

"Essencialmente, é uma luta pela sobrevivência - quem conseguir resistir por mais tempo", disse Olga Pindyuk, do Instituto de Estudos Econômicos Internacionais de Viena.

Reuters Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra