Menos de 5% das terras cultiváveis de Gaza estão em estado de utilização, mostra avaliação da ONU
Menos de 5% das terras agrícolas de Gaza podem ser cultivadas devido a danos e restrições de acesso, "exacerbando o risco de fome na área", de acordo com uma avaliação da Organização das Nações Unidas (ONU) publicada nesta segunda-feira.
"Esse nível de destruição não é apenas uma perda de infraestrutura -- é um colapso do sistema agroalimentar de Gaza e das linhas de vida", disse Beth Bechdol, vice-diretora geral da Organização para Alimentação e Agricultura, que produziu a avaliação juntamente com o Centro de Satélites da ONU.
Antes do início da guerra entre Israel e Hamas, há mais de 19 meses, os fazendeiros de Gaza cultivavam uma série de culturas, incluindo frutas cítricas, tâmaras e azeitonas, apesar de a área estar entre as mais densamente povoadas do mundo.
Agora, meio milhão de pessoas enfrentam a fome, de acordo com um monitor global da fome, em meio às restrições israelenses às importações de alimentos após um bloqueio de 11 semanas.
No total, apenas 688 hectares, ou 4,6% do total, estão disponíveis para cultivo, segundo a avaliação da ONU.
A análise mostrou que mais de 80% das terras cultiváveis de Gaza foram danificadas na guerra. Um total de 77,8% não está acessível, segundo um comunicado, com base em uma avaliação da ONU dos locais restritos e das ordens de retirada israelenses.
O relatório constatou que quase três quartos das estufas foram danificadas na guerra e mais de 80% dos poços, de acordo com a avaliação baseada em imagens de satélite de alta resolução.
O relatório descreveu a situação como "particularmente crítica" na área sul de Rafah e nas áreas do norte, onde quase todas as terras cultiváveis estão inacessíveis, segundo o comunicado.