Meloni pede 'suspensão temporária' do mecanismo de imposto sobre carbono
UE discutiu iniciativas 'para conter a pressão sobre os preços da energia'
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou nesta terça-feira (10) que é necessária uma "suspensão temporária" do mecanismo de imposto sobre o carbono (ETS) aplicado à produção de energia.
De acordo com comunicado divulgado pelo Palazzo Chigi, a medida sugerida pela chefe de governo italiana, que participou de uma nova reunião da União Europeia sobre a competitividade do bloco, permaneceria em vigor "enquanto se aguarda uma revisão rápida e mais abrangente do mecanismo".
"A discussão concentrou-se principalmente nas consequências de curto e médio prazo do conflito em curso no mercado global de energia e em possíveis iniciativas a serem promovidas rapidamente para conter a pressão sobre os preços da energia", diz a nota.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, informou que o órgão executivo do bloco "criará uma garantia de 200 milhões de euros para apoiar o investimento privado em tecnologias nucleares inovadoras", acrescentando que os recursos virão do "sistema de comércio de emissões".
"Queremos que essa nova tecnologia esteja operacional na Europa no início da década de 2030, para que possa desempenhar um papel fundamental ao lado dos reatores nucleares tradicionais. Não só reduziremos o risco de investir nessas tecnologias de baixo carbono, como também queremos enviar um sinal claro para que outros investidores se juntem a nós", afirmou a diplomata.
Menos de um mês depois, o eixo Itália-Alemanha-Bélgica retomou as negociações para impulsionar a competitividade europeia. No entanto, com a eclosão da guerra no Irã, o contexto mudou radicalmente.
A videoconferência promovida por Meloni, Friedrich Merz e Bart De Wever foi convocada em meio a uma emergência energética e à necessidade compartilhada de reduzir os preços do petróleo e do gás.
Mais de 100 empresas europeias assinaram um apelo encaminhado aos líderes da União Europeia pedindo que não enfraqueçam o mercado de carbono do continente em meio à crise desencadeada pelas hostilidades no Oriente Médio. Segundo os signatários, enfraquecer o sistema também pode retardar a concretização dos objetivos de competitividade do bloco.
Há um consenso geral sobre a necessidade de revisar o ETS, mas muitos em Bruxelas e em outras capitais europeias têm destacado recentemente o papel do mecanismo na promoção da única fonte de energia sobre a qual a UE pode construir sua autonomia: as energias renováveis. .