Jürgen Klopp rebate comentários racistas contra a seleção da Alemanha
O técnico da seleção alemã, Jürgen Klopp, repudiou comentários racistas nas redes sociais que criticavam a diversidade étnica da equipe após revés contra a Grécia, postura também alinhada à extrema-direita da AfD. Chamando os ataques de idiotices, Klopp exaltou o respeito no vestiário como exemplo e defendeu um patriotismo positivo sem extremismos. As declarações antecederam a vitória da Alemanha sobre a Sérvia por 2 a 0 em Munique, na caminhada do treinador com contrato até a Copa de 2030.
Técnico da equipe alemã exalta exemplo do vestiário esportivo, onde "todos são respeitados com base em fatos reais e não desacreditados por opiniões equivocadas". Alemanha vence a Sérvia por 2 a 0 em Munique.O técnico da seleção alemã masculina de futebol, Jürgen Klopp, reagiu com indignação a comentários racistase ofensivos nas redes sociais após a derrota de sua equipe para a seleção da Grécia, pela Liga das Nações da Uefa.
Questionado por um repórter sobre postagens afirmando que a equipe "não era alemã o suficiente" ou "não era branca o suficiente", Klopp disse em coletiva de imprensa antes da partida contra a Sérvia, nesta quinta-feira (01/10) em Munique, que não havia motivo para perder tempo com essas "idiotices".
"Não há absolutamente nenhuma razão para dar atenção a essas pessoas. Vocês não ouvirão minha opinião sobre isso. Tenho pouco tempo no dia a dia para idiotices, e ainda menos para as redes sociais", disse o técnico de 59 anos. "O grande dilema da nossa vida é que qualquer um pode expressar sua opinião. É uma loucura que esse tipo de coisa tenha acontecido."
O grupo de jogadores convocados por ele para a seleção, que inclui vários atletas de origem migratória, "não poderia ter uma convivência melhor", explicou.
Vestiário como exemplo
"O mundo deveria tomar o vestiário esportivo como exemplo [...] Lá, todos são respeitados com base em fatos reais e não desacreditados por opiniões equivocadas. Ponto final."
O ex-técnico do Borussia Dortmund e do Liverpool, que atraiu enorme atenção ao aceitar comandar a seleção alemã após o fracasso as equipe na Copa do Mundo de 2026, tem contrato de quatro anos válido até o final do Mundial de 2030. Em seu primeiro jogo no comando da equipe, a Alemanha empatou com a Holanda pelo placar de 1 a 1.
A enxurrada de comentários racistas e ofensivos nas redes sociais após a derrota da Alemanha por 1 a 0 para a Grécia no último domingo - a primeira da seleção alemã para os gregos - também reflete declarações de membros do partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), a maior legenda de oposição no Bundestag (Parlamento alemão), que criticam repetidamente a diversidade étnica da seleção.
Em defesa do "patriotismo positivo"
Durante a coletiva de imprensa em sua primeira convocação como novo técnico da seleção alemã, em setembro, Klopp defendeu o que chamou de "patriotismo positivo" e pediu que os símbolos nacionais não sejam associados a grupos extremistas.
"Gostaria de recuperar a bandeira para mim, ou melhor, para nós", afirmou. "Quero que ela seja sempre exibida de uma forma que não faça ninguém pensar: 'O que há de errado com você?'. Pelo contrário, que as pessoas simplesmente sintam que você está feliz e entende como é privilegiado por ter nascido, crescido ou se mudado para este país maravilhoso."
A declaração foi interpretada como uma referência à vitória eleitoral da AfD na eleição estadual em Saxônia-Anhalt, no leste do país.
Klopp, na ocasião, afirmou que algumas pessoas provavelmente aprovaram o desfecho da votação, enquanto muitas outras reagiram com preocupação. Ele porém, ressaltou que não é especialista em política e que não pretende transformar suas coletivas de imprensa em debates políticos
A Alemanha venceu a Sérvia nesta quinta-feira por 2 a 0 no estádio Allianz Arena, em Munique, com gols de Tom Bischof e Florian Witz.
rc (dpa, ots)
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