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Juiz planeja declarar nulidade do julgamento de Lindsay Clancy, mas permite recurso de emergência

4 set 2026 - 14h59
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Resumo
O juiz William Sullivan anunciou que deve anular o julgamento de Lindsay Clancy, acusada de matar seus três filhos em 2023, após os jurados entrarem em um impasse pela terceira vez. A anulação formal foi adiada para que a defesa apresente um recurso de emergência. O caso reacendeu o debate sobre psicose pós-parto e insanidade mental nos EUA. Enquanto a defesa alega incapacidade penal devido a um surto psicótico, a acusação sustenta que o crime foi premeditado e apoia um novo julgamento.

O juiz William Sullivan ‌disse nesta sexta-feira que não teve outra escolha a não ser declarar a nulidade do julgamento no processo por homicídio de Lindsay Clancy, acusada de matar seus três filhos pequenos — uma tragédia que, segundo seu advogado, ocorreu enquanto ela sofria de psicose pós-parto.

Sullivan anunciou sua intenção depois que os jurados enviaram uma nota indicando que não conseguiam chegar a um veredicto. No entanto, ele adiou a declaração formal de nulidade do julgamento para permitir que o advogado de defesa de Clancy apresentasse um recurso de emergência, em uma última tentativa de ordenar ⁠que os jurados retomassem suas deliberações.

A nota desta sexta-feira marcou a terceira vez nesta semana que os jurados relataram ter ficado em um impasse. ‌Os 12 jurados em Plymouth, Massachusetts, vêm deliberando há sete dias. Os promotores afirmaram que apoiavam a declaração de nulidade do julgamento, o que lhes daria a oportunidade de julgar o caso novamente.

O julgamento televisionado, que durou quase seis semanas, reacendeu um debate de longa ‌data sobre como a saúde mental pós-parto das mulheres é tratada nos EUA e ‌como o sistema jurídico do país lida com casos em que mães matam seus filhos.

Ninguém contestou que Clancy, de 36 anos, ⁠estrangulou seus três filhos com faixas elásticas de ginástica em janeiro de 2023, no porão de sua casa em Duxbury, subúrbio de Boston. Em seguida, ela se cortou com uma faca e pulou de uma janela do segundo andar na tentativa de tirar a própria vida, o que a deixou paralisada.

O advogado de Clancy, Kevin Reddington, procurou, ao longo do julgamento, convencer os jurados de que ela deveria ser considerada inocente por falta de responsabilidade criminal ou por motivo de insanidade, argumentando que ela era uma mãe amorosa em meio a um episódio ‌psicótico quando matou Cora, de 5 anos; Dawson, de 3; e Callan, de 8 meses.

Mais cedo nesta sexta-feira, Sullivan rejeitou um pedido da defesa ‌para remover um jurado que, segundo Reddington, estava ⁠impedindo o júri de proferir um ⁠veredicto de inocência.

Ao insistir na remoção do jurado, Reddington citou uma nota enviada pelo porta-voz do júri em nome dos 11 jurados, indicando que um ⁠deles havia reconhecido ter dúvidas, mas se recusou a levá-las em consideração no veredicto.

Os ‌jurados só podem considerar Clancy culpada de ‌homicídio doloso qualificado se a acusação provar sua tese além de qualquer dúvida razoável.

PROMOTORES DIZEM QUE CLANCY PLANEJOU OS HOMICÍDIOS

Os promotores não contestaram que Clancy, ex-enfermeira da maternidade do Massachusetts General Hospital, vinha lidando com problemas de saúde mental. Mas argumentaram que ela era capaz de compreender a ilicitude de matar seus filhos e, mesmo assim, escolheu intencionalmente fazê-lo.

Eles apresentaram o depoimento de um ⁠psicólogo que, após examinar Clancy, concluiu que ela havia planejado tirar a própria vida e optou por matar seus filhos porque "estava convencida de que eles sofreriam sem ela".

Os promotores se concentraram em evidências que mostravam como, pouco antes dos assassinatos, ela mandou o marido buscar uma encomenda de comida e ir a uma farmácia, depois de calcular no celular o tempo que ele levaria para voltar para casa.

O julgamento gerou comparações com o caso de Andrea Yates, uma mulher do Texas que ‌afogou seus cinco filhos em uma banheira em 2001. Depois que um tribunal de apelação anulou sua condenação inicial por homicídio, ela foi considerada inocente por motivo de insanidade em 2006. Seus advogados afirmaram que ela sofria de psicose pós-parto grave.

CLANCY LUTAVA CONTRA PROBLEMAS ⁠DE SAÚDE MENTAL, DIZ O MARIDO

Depoimentos de familiares, incluindo o agora ex-marido de Clancy, Patrick, detalharam como ela vinha enfrentando problemas de saúde mental nos meses seguintes ao nascimento de seu terceiro filho, buscando repetidamente tratamento junto a profissionais de saúde que prescreveram uma infinidade de medicamentos.

Patrick Clancy testemunhou que sua esposa havia recebido alta de um hospital psiquiátrico semanas antes, mas não demonstrou sinais de que planejava se machucar ou machucar seus filhos nos dias seguintes. Ela apresentava um comportamento "normal" quando ele saiu para buscar o jantar, disse ele.

Ele conversou brevemente por telefone com a esposa enquanto estava na farmácia. Ao voltar, descobriu-a deitada no chão do quintal, com cortes nos pulsos e no pescoço. Ela disse a ele que havia tentado se matar.

Ele disse que perguntou onde estavam as crianças, e ela respondeu que estavam no porão. Depois que ele ligou para o 911 e as equipes de emergência chegaram, Patrick Clancy disse que correu para o porão e as encontrou com faixas elásticas amarradas ao redor do pescoço.

Várias testemunhas, incluindo Patrick Clancy, depuseram que, mais tarde, enquanto Lindsay Clancy estava no hospital, ela contou ter ouvido a voz de um homem dizendo que, se ela não agisse, perderia sua chance.

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