Itália vai propor à UE criação de centros de migrantes fora do bloco
Iniciativa será apresentada em reunião de ministros do Interior nesta terça (4)
A Itália apresentará nesta terça-feira (4), durante reunião de emergência dos ministros do Interior da União Europeia, uma proposta para a criação de centros de triagem de migrantes forçados fora do bloco, nos moldes das unidades que o país mantém na Albânia.
O encontro foi convocado após a chegada de dezenas de milhares de pessoas ao exclave espanhol de Ceuta, no norte da África, na semana passada, crise que fez o governo da premiê Giorgia Meloni suspender o Acordo de Schengen ? que permite a livre circulação na Europa ? com a Espanha por um mês.
Na reunião, o ministro italiano do Interior, Matteo Piantedosi, proporá a criação de centros para alocar migrantes em situação irregular em países extracomunitários, com financiamento pela União Europeia.
Segundo fontes familiarizadas com as discussões, já existe uma lista preliminar de nações que poderiam receber essas instalações, incluindo Gana, Egito, Etiópia, Líbia, Mauritânia, Ruanda, Senegal, Tunísia e Uganda, na África, Montenegro, na Europa, e Armênia e Uzbequistão, na Ásia.
A Itália já opera uma parceria do tipo com a Albânia, enviando ao país balcânico migrantes forçados que chegam em seu litoral em viagens clandestinas no Mar Mediterrâneo. Esse acordo já foi alvo de questionamentos na Justiça italiana, mas uma legislação aprovada pelo Parlamento Europeu no início do ano abriu caminho para que essa política seja estendida para o restante do bloco..
Piantedosi também deverá cobrar a aplicação rigorosa do programa "GSP+", vinculando benefícios tarifários concedidos pela UE a países em desenvolvimento à cooperação na repatriação de seus cidadãos em situação irregular.
Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, voltou a criticar Roma nesta segunda-feira (2) por sua postura diante da crise em Ceuta. ""Houve governos que não estiveram à altura da situação, e o italiano foi um deles", declarou o chanceler à emissora TVE. .
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